Análise feita a pedido do MP apontou resquícios de agrotóxicos na água distribuída
Uma análise de amostras da água que é consumida em 100 cidades catarinenses, feita a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), apontou que quatro municípios da região recebem nas torneiras água com resquícios de agrotóxicos. Tubarão, Gravatal, Jaguaruna e Orleans foram algumas das cidades citadas nesse estudo.
As amostras foram coletadas entre março e novembro do ano passado, em um programa do Centro de Apoio ao Consumidor do MPSC. As cidades foram escolhidas com base na relação entre população, cultivo de alimentos e venda de pesticidas.
Tubarão e Jaguaruna apresentaram um tipo de ingrediente ativo de agrotóxico usado nas lavouras – em Tubarão foi o Diurom e Jaguaruna, o Metolacloro, ambos herbicidas empregados no combate a plantas infestantes. Orleans e Gravatal apresentaram dois tipos cada. Diurom e Simazina (herbicida) em Orleans, e Metalaxil-M (fungicida) e Tiametoxam (inseticida) em Gravatal.
O MPSC pediu análise de 204 produtos usados nas lavouras em Santa Catarina. O Ministério da Saúde estabelece, hoje, parâmetros para 27 dessas substâncias. Por isso, muitos dos agrotóxicos identificados não têm valores máximos definidos para a água de abastecimento no Brasil. Entre os que têm parâmetro estabelecido, o limite não foi ultrapassado. O que não torna a situação menos grave, segundo a análise do MPSC.
A promotora pretende encaminhar o levantamento para as promotorias dos municípios que apresentaram problemas, para que se reúnam com outros órgãos e identifiquem por que a água tem chegado contaminada ao consumidor.
O que dizem as empresas
Em nota, a Tubarão Saneamento garantiu que a qualidade da água distribuída no município está dentro dos parâmetros exigidos na Portaria de Consolidação n° 5 de 2017, emitida pelo Ministério da Saúde. “Em 2018, todos os levantamentos estavam dentro dos parâmetros de qualidade da água exigidos pelo Ministério da Saúde”, diz a nota enviada à imprensa.
A Jaguaruna Saneamento, que abastece os balneários Camacho e Garopaba do Sul, a Águas de Jaguaruna, responsável por Dunas do Sul até o Arroio Corrente, além de alguns trechos da Esplanada e Campo Bom, e a Gravatal Saneamento também explicaram, em nota, que todos os parâmetros estão dentro das normas exigidas pela legislação. “Diariamente, realizamos testes na água bruta e tratada. Análises também são efetuadas todo mês, certificando a potabilidade da água. Além disso, as vigilâncias sanitárias municipais realizam mensalmente análises na água”, explica a nota.
Por telefone, o diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Orleans, Fábio Echeli Bett, relatou que o Samae recebeu com surpresa a pesquisa do MPSC. “Fazemos análises e somos avaliados também, e a qualidade da nossa água respeita os parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde”, pontuou Fábio.