Reajustes recentes elevam custos e reacendem risco de paralisação no país
O aumento de 18,86% no preço do diesel desde o fim de fevereiro voltou a acender o alerta entre caminhoneiros em todo o Brasil. A alta, influenciada pelos reflexos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no mercado internacional do petróleo, já impulsiona movimentos que ameaçam uma nova paralisação nacional, ainda sem data definida.
A mobilização está sendo conduzida principalmente por caminhoneiros autônomos, com apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), que cobra medidas do governo federal diante do que classifica como aumentos abusivos. As articulações são lideradas pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e pelo Sindicato dos Caminhoneiros de Santos (Sindicam).
Segundo Wallace Landim, o “Chorão”, presidente da Abrava, uma assembleia com representantes de diversos estados já aprovou a possibilidade de greve como forma de pressão.
A Petrobras reajustou o preço do combustível nas refinarias em 11,6%, o que aumentou ainda mais a insatisfação da categoria.
Movimento
No setor empresarial, no entanto, o cenário é diferente. A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc), que representa transportadoras vinculadas aos sindicatos, não integra o movimento. Até o momento, não há qualquer indicativo oficial de paralisação por parte das empresas.
Fetrancesc defende reajuste imediato dos fretes
Diante da recente escalada no preço do diesel, a Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) divulgou nota demonstrando preocupação com os efeitos diretos sobre o setor.
Segundo a entidade, o transporte rodoviário é responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, o que torna o aumento do combustível um fator crítico para toda a economia. O diesel, principal insumo da atividade, pode representar até metade dos custos operacionais das empresas.
A Fetrancesc destaca que o segmento já enfrenta dificuldades estruturais, como aumento generalizado de despesas, falta de profissionais, problemas na infraestrutura rodoviária e margens reduzidas. Nesse contexto, novos reajustes agravam ainda mais a situação financeira das transportadoras.
Com aumentos que chegam a 20% em algumas regiões, a entidade recomenda que as empresas realizem a recomposição imediata dos valores de frete, como forma de equilibrar os custos e evitar prejuízos.
A federação também alerta que a ausência desse repasse pode comprometer a sustentabilidade das operações e até colocar em risco o abastecimento e o funcionamento das cadeias produtivas no país.