Superoferta global mantém preços em baixa e pressiona produtores do Sul
A cadeia produtiva do arroz inicia 2026 sob forte pressão, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, principais estados produtores do país.
Após um período favorável entre 2020 e 2024, o setor enfrenta os efeitos de uma superoferta global, que provocou forte retração nos preços e reduziu a rentabilidade dos produtores.
Segundo o presidente da Copagro, Dionísio Bressan, o cenário segue os ciclos naturais do mercado. Os bons preços registrados nos últimos anos estimularam a ampliação das áreas cultivadas para a safra de 2025 no Brasil e no exterior, resultando em excesso de oferta.
Impacto
De acordo com Bressan, os preços caíram cerca de 60% de 2024 para 2025, com a saca passando de valores superiores a R$ 100 para patamares próximos de R$ 45. O efeito é intensificado pelo papel do Brasil como maior produtor e consumidor de arroz fora da Ásia, além de absorver parte da produção de países do Mercosul.
Em Santa Catarina, o SindArroz-SC avalia que o elevado volume de estoques deve manter os preços pressionados ao longo de 2026.
Conforme o presidente da entidade, Walmir Rampinelli, uma eventual recuperação depende da redução do plantio na safra 2026/2027, reflexo da descapitalização dos produtores.
Mesmo diante da crise, a safra 2025/2026 avança com estabilidade do ponto de vista agronômico, ainda que sem expectativa de recordes de produtividade.