Uma fábrica de pranchas de Itapirubá resolveu investir na sustentabilidade e na conscientização dos moradores e turistas que visitam a praia entre Laguna e Imbituba. Cerca de 30 bituqueiras, feitas de cano de PVC, foram instaladas em diversos pontos do balneário.
Mas a ideia de instalar os recipientes que recebem os restos de cigarros foi além. O designer de pranchas Andrigo Ladeira Porto Alegre decidiu que não jogaria no lixo aquilo que muitas pessoas descartam pelas ruas e areias. “Pela internet, conheci um projeto, da Califórnia, que usa as bitucas na composição de pranchas de surf. Como temos a empresa, também vamos aproveitar essa inspiração por aqui, dando outra destinação ao rejeito”, explica Andrigo.
Estudos mostram que as bitucas poluem tanto o oceano quanto as sacolas e canudos de plástico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número estimado de fumantes no mundo é de 1,6 bilhão, descartando diariamente 12,3 bilhões de bitucas. O objetivo, segundo Andrigo, é reunir o máximo de bitucas durante esta temporada e depois começar a produção das pranchas.
“Elas serão feitas de modo tradicional, mas depois criamos uma espécie de tapete com as bitucas e o colocamos em um dos lados das pranchas. A pessoa vai conseguir ver esse material. Além da conscientização, uma das nossas preocupações é fazer com que essas pranchas sejam funcionais. Sabemos que elas serão mais resistentes, e depois poderão ser usadas pela população”, conta Andrigo.
800 bitucas por prancha
Pra cada prancha, serão usados cerca de 800 gramas de restos de cigarros. Num primeiro momento, as pranchas ficarão em exposição pelo comércio e também na Escolinha de Surf Itapira Norte Sul. Elas poderão ser alugadas por quem quiser testá-las nas ondas de Itapirubá. Todo o projeto está sendo feito pela TrenchTown Surfboards, com o apoio de outras empresas locais.
Guilherme Corrêa