Maurício da Silva
Presidente da Fundação Municipal de Educação
Em rede estadual, pela NSC TV, a deputada estadual Marlene Fengler, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, mencionou Tubarão como exemplo de combate à evasão escolar.
De fato, no Brasil, a evasão subiu de 1,4 milhões de estudantes, antes da pandemia, para 5,5 milhões, segundo o Unicef. Em Tubarão, baixou de 122 estudantes, em 2019, antes da pandemia, para 37 que não entregaram atividades, em 2020 (ano do início da pandemia), e para quatro, em 2021, que foram para outras redes.
Estes dados foram apresentados em audiência pública, presidida pela mencionada deputada, que teve a participação do Ministério Público, Tribunal de Contas, Undime, Fecam, SED e outros.
Escolas fechadas durante o ano de 2020 para evitar o contágio, ausência de internet, de cobrança e de estímulos das famílias e necessidade de cuidar dos irmãos ou de trabalhar, no ano de 2021, motivaram muitos estudantes a abandonarem os estudos.
Isso é gravíssimo. Jovem fora da escola custa mais (R$ 372 mil por ano) do que para mantê-lo estudando (cerca de R$ 90 mil), segundo pesquisa do Insper e da Fundação Roberto Marinho. Eles são empurrados para o subemprego, para a baixa renda (principalmente, nestes tempos de trabalho cada vez mais automatizado) e, mais facilmente, para a criminalidade. A sociedade perde duplamente ao pagar mais impostos para financiar a assistência ou o encarceramento destes jovens e ficar sem mão de obra qualificada.
Por que Tubarão é referência no combate à evasão escolar? Não abandonou nenhum aluno e nenhum professor no dificílimo ano de 2020 em que se ministrou aulas com as escolas fechadas. Manteve os investimentos (27,9%). Planejou mensalmente, com todos os professores, de forma virtual. Ensinou conteúdos estruturantes, por meio da plataforma digital, aos estudantes conectados na internet, e por meio de impressos, aos não conectados. Foi nas casas dos que não entregavam atividades e assistiu, com alimentação, os necessitados.
No ano de 2021, com quase todos estudando presencialmente, monitora diariamente os principais indicadores educacionais e aciona rede de proteção social formada por equipe multiprofissional (assistente social, psicólogo e pedagogo), Fundações de Saúde e de Assistência Social, Associação Tubaronense de Deficientes Visuais, Conselho Tutelar e equipe de combate à evasão escolar, com o objetivo de fortalecer o vínculo do aluno com a escola.
Assim, atende, imediatamente, os estudantes que faltam a aula, chegam atrasados, não fazem tarefas de casa, apresentam sintomas de ansiedade ou depressão (que dobraram com a pandemia, segundo estudos da Universidade de Calegary, do Canadá, no mundo todo), perda de visão (que agravou devido à exposição excessiva às telas de computador ou celular) e outras carências.
É a identificação e resolução do problema para oportunizar a permanência e a produtividade do estudante na escola. Essencial para um futuro promissor.