Que diferença fazem as características particulares dos governantes?
Numa perspectiva analítica, às vezes me questiono: que diferença fazem as características particulares dos governantes? Elas podem contribuir ou interferir nos movimentos da história?
Bom, aquele que ascende ao poder é fio condutor das profundas e implacáveis correntes dos tempos que o fizeram “líder”, quando, pelo menos uma parte, pode empreender o “novo”, o que está por vir, influenciando um novo ciclo, deixando sua marca.
Sem dúvida, o meio faz o indivíduo, bem como o indivíduo influencia o seu meio. Então, não basta surfar a onda da corrente de um tempo, valendo-se de uma tendência, sem influenciar, sem realizar entregas, correspondendo à expectativa depositada naquele prenúncio de liderança.
A liderança, que surge resultante de um impulso, de um arroubo, tende a não se sustentar, se não tiver consistência.
A consistência pode ser um traço forte da personalidade da liderança, portanto as características particulares hão de influenciar o indivíduo no poder.
O arquétipo do governante exige vocação para o poder e para a liderança. Ele é caracterizado por habilidades de controle, responsabilidade, capacidade de exercer a liderança de diferentes formas, desejo de estabilidade e superioridade, métodos de organização e planejamento e possível tendência ao autoritarismo.
Cada governante é único e pode ter suas próprias características pessoais que influenciam sim sua liderança – algumas das características desejáveis são a capacidade de ouvir, ser carismático, ético, honesto, com sabedoria e visões igualitárias.
Rousseau definiu que o homem selvagem, no estado da sua natureza, anseia apenas pelo repouso e liberdade – sem muita ambição; já o outro, o homem da sociedade civil organizada, sempre ativo – que tenta corresponder às expectativas – agita-se, trabalha até a morte, faz a corte aos ricos e se envaidece de sua escravidão diante da vida. São ambiciosos e inquietos os quais, sob controle, são particularidades relevantes.
Sem dúvida, ambas as definições são da natureza do homem que vive em sociedade, mas quando se perde o controle influenciam negativamente na vida das pessoas.
As características de um líder fazem a diferença quando cada qual olha para os demais e também almeja ser olhado, se destacar – surgindo aí um novo líder, cuja característica é a vaidade: o lado negativo desse líder, porque a estima pública passa a ter um preço.
O líder nato tem visão e descobre aquilo que os outros não veem, mas age com prudência e moderação, colocando o bem comum acima dos seus próprios interesses, perseguindo o que é justo.
E, sendo justo, buscará o respeito à igualdade de todos, nos parâmetros da legalidade, já que buscar o bem comum é intrínseco às suas características particulares.