Meses atrás, o carteiro trouxe-me uma encomenda. Sim, o velho carteiro com sua grande sacola de sarja ainda bate de porta em porta. Sinal dos novos tempos, novas tecnologias da comunicação social. No pequeno pacote, um livro e uma elegante carta manuscrita numa caligrafia desenhada, linda. Se no mundo dos e-mails e WhatsApp as cartas rareiam, o que dizer, então, das cartas escritas à mão? Surpresa e emocionada, li a afetuosa missiva. Repeti várias vezes o nome do remetente: Lindomar Cardoso Tournier.
O “seu Lindomar” da Farmácia Albertina, que há muitas décadas deixou os contrafortes da Serra do Rio do Rastro, sua terra Lauro Müller, e emigrou pra Tubarão. Num instante, voltei à minha Tubarão, não a bela e desenvolvida cidade de hoje, mas a Tubarão de ontem que me viu nascer, crescer e se tornar mulher.
Assomou um pot-pourri de lembranças, despenteadas uma a uma. Nelas, encontrei o atencioso farmacêutico, seu Lindomar, por trás do balcão aviando remédios, o amoroso pai das amigas Maria Helena e Vera Lúcia, o marido da dona Francisca, com quem teve sete filhos. Descobri o querido cronista do jornal da cidade, aos 96 anos, e membro da Acatul.
E, agora, leio o seu romance Nathan. Mergulhei com gosto na leitura da história de Nathan e Diva. Página a página, numa escrita clara, escorreita, frugal, que flui suavemente. A narrativa descortina vidas entrelaçadas por conflitos, tristezas, alegrias, vitórias e muito amor, como são as boas ficções românticas com final feliz. Nathan é uma delícia! O narrador omnipresente conduz o leitor com mestria por alamedas da ficção, até o ponto final, sem perder o compasso, a sonoridade das palavras de verdadeiro sentir e a humanidade dos personagens que o autor soube bem potencializar com sabedoria e talento. Uma linda prenda! Obrigada, seu Lindomar.