Maurício da Silva | Mestre em educação
Estudantes de baixo nível socioeconômico, com aprendizagem e atitudes inadequadas, tem dificuldades para acompanhar as aulas, prosseguir nos estudos e, consequentemente, conquistar emprego e renda melhores.
Com qualificação e renda baixas:
a) Não contribuem para melhorar a produtividade e o consumo do país (que dificultam o crescimento da economia) e precisam das ajudas do governo (R$ 441 bilhões, em 2025), bancadas pelos impostos (cada brasileiro destina 5 dos 12 salários anuais para tributos).
b) Tornam-se potenciais vítimas ou autores das violências (diminuiu 2% dos homicídios a cada 1% a mais de jovens entre 15 e 17 anos na escola, de acordo com o Ipea).
c) São os mais encarcerados (909 mil pessoas estão presas no Brasil, de acordo com o Ministério da Justiça), ao custo para a sociedade de 21 mil reais anuais cada e perda de mão de obra.
d) São também os mais assassinados (foram 21.856 jovens, de 15 a 29 anos, no Brasil, em 2023, de acordo com o Atlas da Violência). A sociedade perde mais mão de obra e 520 mil reais em cada jovem executado (valor investido desde antes do nascimento - preventivos da futura mãe, moradia, alimentação, roupa, calçado, remédio, água, luz, energia, transporte, escola, lazer e outros).
Relatório do Banco Mundial, de julho de 2022, informa que “o Brasil desperdiça 40% do talento dos seus jovens. Estima que se não desperdiçasse e atingisse pleno emprego, o PIB poderia ser 2,5 vezes maior (158%)”.
e) São mais facilmente enganados, principalmente pela manipulação digital, conforme estudo “Otan 2030”.
f) Eles vão reproduzir o ciclo da pobreza.
Enfim, aprendizado e atitudes inadequadas mantêm a economia estagnada, milhares de brasileiros na pobreza e excessiva carga tributária para ajudá-los ou mantê-los nas prisões, violência, perda de investimento e de mão de obra e riscos de desestabilização da democracia, conquistada ao custo de vidas.
O grande problema é que o Brasil investe na educação (4,3% do PIB) mais do que a média dos países ricos da OCDE (3,6%), de acordo com o relatório Education at a Glance 2025, mas os estudantes brasileiros permanecem entre os piores do mundo, no Pisa, Pirls, Timss e Teste de Criatividade.
Significa que é preciso ir além do novo Plano Nacional de Educação (2026-2036).
É preciso reescrever a escola.