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Artigo: Dia Internacional da Mulher

Por Maurício da Silva | Professor e vereador

06/03/2026 06:00|Por Maurício da Silva

As merecidas homenagens às mulheres, no seu dia internacional, 8 de março, precisam ir além dos presentes, das mensagens, das flores, etc. Precisam, também, lembrar o fato que originou a data ou, por desconhecimento ou conveniência, pode-se incentivar o que deve ser combatido.

O ocorrido no longínquo 8 de março de 1857, em Nova Iorque, precisa ser mantido na memória coletiva para não ser repetido. Ao reivindicarem melhores condições de trabalho (eram jornadas de dezesseis horas diárias, insalubridade, perigo e baixos salários), dezenas de mulheres foram trancadas e queimadas, ainda enquanto estavam vivas, na fábrica em que trabalhavam. 

Aquelas mulheres foram brutalmente assassinadas porque não aceitaram a exploração no trabalho. Esquecer aquele horrendo fato ou substituí-lo por comemoração, sem reflexão, contribui para proteger os que, ainda hoje, exploram pessoas para obter lucro e matam as que resistem ou denunciam. 

É fundamental lembrar que o homem, de forma geral, não desistiu de explorar o seu semelhante para obter lucro. Passados 169 anos do massacre daquelas mulheres e 138 anos da ‘libertação’ dos homens e das mulheres negras que foram escravizados no Brasil para aumentar os lucros de alguns, o trabalho análogo ao trabalho escravo - que vitima também homens e mulheres brancas - é notícia frequente, inclusive aqui em Santa Catarina. Tratar empregadas domésticas como “da família” para não pagar salários também continua nos noticiários.

 

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Portanto, é preciso homenagear a mulher no seu dia, todos os dias, das melhores formas possíveis, mas sem esquecer o fato que originou o 8 de março. Pode-se homenageá-las, também, ajudando a combater a discriminação (em média, a mulher estuda mais que o homem, mas está em quantidade menor nos postos de chefia e recebe salários menores), a baixa representatividade política (constituem maioria dos eleitores, mas são eleitas poucas vereadoras, prefeitas, deputadas, senadoras, governadoras, presidente da República, etc.) e a violência (o feminicídio aumenta assustadoramente).

Em Tubarão, o zeramento da fila de crianças para creches oportunizou a todas as mulheres trabalharem ‘fora de casa’ e conquistarem ou melhorarem a renda e a autonomia, principalmente a financeira. Na Câmara Municipal de Vereadores, aprovamos a lei que cria os ‘grupos reflexivos’ para homens autores de violência doméstica e a que impede homenagens públicas a feminicidas.

Proteger as mulheres e ampliar suas conquistas também constituem formas de homenageá-las e de melhorar a sociedade.

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