Felipe Felisbino
Professor
Com base no que eu já escrevi, sobre a inversão de valores, volto ao contexto falando das instituições, dos padrões sociais e da cultura. A existência de instituições é fundamental para garantir a ordem e o funcionamento da sociedade contemporânea.
As instituições têm a missão de velar pela organização e pela coesão social, são membros constituintes da sociedade civilizada que criam regras e normas para o bom convívio.
É aceitável que as instituições sociais não são imutáveis e podem mudar ao longo do tempo, como um processo natural de mudança social, porém, a desestruturação das instituições sociais pode ser vista como resultado de conflitos e tensões na sociedade, ao estabelecerem, ou por deixarem a desejar, na delimitação das regras e normas, que orientam o comportamento humano.
As instituições podem ser formais, como governos, judiciário, empresas e organizações não governamentais, ou informais, como a família, grupos de amigos e comunidades em geral. A eficácia destas instituições está diretamente relacionada à confiança que a população deposita nelas. Quando as instituições falham em cumprir suas funções, a sociedade pode sofrer graves consequências, e elas caem no descrédito.
O fortalecimento das instituições é um desafio constante para os países em desenvolvimento, que muitas vezes enfrentam problemas de corrupção, burocracia excessiva e falta de transparência. A participação cidadã é fundamental para fortalecer as instituições democráticas e garantir que elas atendam as necessidades da população.
Ao reconhecer a importância das instituições na sociedade contemporânea, podemos trabalhar juntos para fortalecê-las e garantir um futuro mais justo e próspero para todos.
Neste diapasão, direciono a ribalta para a cultura, no sentido de que, tradicionalmente, essa palavra tem sido compreendida – reduzida ao espetáculo da apresentação “cultural”. A banalização das artes, da literatura, do pensamento, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a futilidade da política são sintomas de um mal maior que aflige a sociedade contemporânea.
No passado, a cultura era uma espécie de consciência que nos impedia de virar as costas à realidade, aflorando pensamentos e pensadores. Agora, funciona como mecanismo de distração e entretenimento. A figura dos intelectuais, que influenciaram nos séculos anteriores, desapareceu hoje do debate público.
Ainda há manifestações, sem dúvida, mas predomina uma representação ideológica - em alguns manifestos, ou em polêmicas geradas, impactando minimamente a sociedade, não contribuindo para a formação, consolidando um raso nivelamento da humanidade: quanto pior melhor.
Conscientes dessa situação, muitos optam pelo silêncio, mas como seres inquietos, temos o dever de mudar esse diagnóstico. Nossa cultura está além do palco, ela situa o espetáculo.