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Artigo: 20 de novembro: Dia da Consciência Negra

29/11/2022 06:00

No último domingo, 20 de novembro de 2022, foi celebrado no Brasil o “Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra”. Data instituída oficialmente pela Lei nº 2.519, de 10 de novembro de 2011 e que faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil.


Mas a data já é representada como símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil desde meados de 1978, data em que membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial elegerem a figura de Zumbi para ser o símbolo da luta por direitos que dos negros no Brasil.

A data é muito significativa, pois além de trazer questões importantes relacionadas ao racismo e a desigualdade, é uma data que relembra a luta dos africanos escravizados trazidos ao Brasil que foram responsáveis pela construção do nosso país ao preço de suas vidas. Relembrar estas atrocidades é uma forma de não repetirmos os mesmos erros.


Três séculos e meio. Aproximadamente Trezentos e cinquenta anos. Este foi o período oficial em que o Brasil recebeu sozinho quase 5.000.000 (cinco milhões) de africanos cativos. Escravos. Muitas vezes não conseguimos entender a dimensão destes números, mas a quantidade expressiva do tráfico de cativos africanos está diretamente ligada para que hoje o Brasil seja o país no mundo com a segunda maior população de negros.


A conta só não é maior por conta da alta mortalidade dos escravos capturados. Estima-se que a cada cem escravos cativos africanos capturados, apenas quarenta sobreviviam entre a captura e a sua jornada até o final da travessia do Oceano Atlântico. Além da jornada altamente mortal, as suas funções no nosso país eram de igual forma insalubres e degradantes. Além do isolamento de seus entes familiares, dificilmente um escravo possuía uma expectativa de vida muito longa.


O resultado é a degradação do seu corpo, a aniquilação de sua identidade negra, de suas origens, do seu povo, a qual, iniciava-se desde sua captura na África e continuava aqui no Brasil, não sobrando espaço para o negro em nosso território.


O negro no Brasil, seja o escravo africano, seja o indígena brasileiro, nunca esteve em posição igual a do branco. São fatos que a história nos conta, não se trata de segregação ou mera falácia. A libertação da escravidão não foi em nenhum momento uma medida de inserção do negro na sociedade.

O Brasil acostumou-se a ver o negro em inferioridade.


Efetivamos com passos largos a escravidão no Brasil por mais de três séculos. Abolimos a escravidão há pouco mais de um século, mas caminhamos a passos lentos para a redução das marcas que permanecem em nossa sociedade e refletem na desigualdade social que vivenciamos diariamente.


Reconhecer o racismo é essencial para reduzirmos a desigualdade racial. Enquanto permitirmos o silenciamento do negro estaremos contribuindo para a continuidade do racismo. É como se o problema não existisse. Como se esquecêssemos do nosso passado sombrio alicerçado na escravidão do negro. Discutir, lembrar, conscientizar são pontos fundamentais para reduzirmos o racismo.


Raí Busarello

Advogado, sócio do escritório SIMON LINHARES BUSARELLO ADVOGADOS e mestre em ciências da linguagem.

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