Quarta-feira, 11 de março de 2026
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RENATA DAL-BÓ

11/03/2026 06:00

Quem é essa mulher? – Dez anos depois

Na minha última crônica, contei aos leitores que comecei um processo muito especial: revisitar os textos que publiquei no Diário do Sul entre os anos de 2015 e 2018.
Tem sido uma experiência muito prazerosa. Ao reler meus textos, reencontro cenas do cotidiano, inquietações e reflexões daquele tempo. É como abrir um álbum de memórias.
Algumas crônicas revelam claramente o tempo em que foram escritas. Outras, porém, atravessam os anos com uma impressionante atualidade.
Foi exatamente essa sensação que tive ao reler a crônica “Quem é essa mulher?”, publicada originalmente em março de 2016, no Dia Internacional da Mulher — há exatamente uma década. Ao reler o texto, percebi que muitas das perguntas feitas naquele momento continuam ecoando com a mesma força.
Compartilho aqui um pequeno trecho:
“Como você consegue conciliar os vários papéis que a sociedade lhe atribui? Você prefere trabalhar fora ou cuidar da casa e dos filhos? Quando trabalha, sente culpa por estar longe deles? E quando fica em casa, sente culpa por não trabalhar?
Você se considera independente? Em que sentido? Ainda nos vemos como o chamado ‘sexo frágil’? Sentimo-nos respeitadas? Sentimo-nos, de alguma forma, violentadas — mesmo que seja pelas pequenas pressões silenciosas do cotidiano?
Feminina ou feminista? Você se acha bonita? A vida trouxe mais perdas ou mais ganhos?
Certamente não existe uma única resposta para cada uma dessas perguntas. Cada mulher responderia a partir de suas próprias experiências, convicções e histórias.”
Talvez por isso essas reflexões continuem tão atuais. Ainda hoje, muitas mulheres seguem equilibrando trabalho, família, sonhos pessoais e expectativas sociais. Seguimos tentando compreender que lugar ocupamos — e, sobretudo, que lugar desejamos ocupar no mundo.
E permanece a pergunta que nunca deixa de nos acompanhar — porque a resposta muda um pouco a cada dia:
Quem é essa mulher que estamos nos tornando?
Ao longo deste ano, pretendo dividir com os leitores algumas dessas crônicas revisitadas. Textos que, mesmo escritos em outro tempo, continuam dialogando com o presente — ou memórias que me são caras e ainda hoje aquecem o coração.

Diário do Sul
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