22 DE JUNHO DE 2024
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RENATA DAL-BÓ

24/04/2024 06:00

Preconceito – O que nos impede de respeitar as diferenças?

Nesta e nas próximas semanas dedicarei minhas crônicas para falar de um tema que considero de extrema importância por ser uma sombra escura que paira sobre nossa sociedade, impedindo-nos de ver a beleza e a riqueza das diferenças que nos cercam: o preconceito.  Precisamos falar sobre este sentimento hostil, de intolerância, alimentado pelo medo do desconhecido, pela ignorância e pela falta de empatia. 

O que me levou a escolher este tema foi o livro “Preconceito: Uma história”, de Leandro Karnal e Luiz Estevam. Fazendo uma viagem inexorável pelo tempo, o livro investiga os efeitos nocivos do preconceito a partir de sua construção histórica. Ao apresentar o fenômeno como uma categoria cultural e demonstrar que não é sustentável frente ao pensamento objetivo, Leandro Karnal e Luiz Estevam investigam os mecanismos que permitem a subsistência de misoginia, LGBTfobia, xenofobia, racismo e capacitismo, analisando criticamente exemplos de sua manifestação em diferentes momentos. Um verdadeiro convite para a desconstrução de aprendizados culturais, que perpetuam o sofrimento de toda pessoa entendida como diferente.
Afinal, o que nos impende de respeitar as diferenças?

É incrível, mas muitas vezes ouvimos e repetimos expressões sem ao menos nos darmos conta do quão preconceituosas elas são. Qual foi a última vez que você ouviu (ou disse, cá entre nós) algo do tipo: “isso é coisa de mulherzinha”, “nada que uma pia cheia de louça suja não cure”, “vê se faz serviço de branco”, “aquela menina, coitada, é a ovelha negra da família”, “não cuidou, virou mãe solteira”, “não tenho nada contra gays, tenho até amigos que são”, “isso é coisa de nordestino”, “baiano é muito preguiçoso”, “português é tudo burro”, “a coisa ficou preta”, “aquele menino do cabelo ruim”?

Essa perpetuação dos padrões culturais e sociais, herdados dos nossos pais e avós, só reforça o quanto o preconceito está enraizado e como é difícil não repetir as mesmas frases, os mesmos comportamentos. 

No entanto, resta uma esperança: se o preconceito é aprendido socialmente, ele pode ser desconstruído. Deixar de ser preconceituoso é um processo contínuo de autoconhecimento, reflexão e ação. Eduque-se, examine seus próprios preconceitos, promova a inclusão e esteja aberto ao diálogo. Mudar atitudes e comportamentos preconceituosos requer tempo, esforço e compromisso contínuo, mas só assim teremos uma sociedade mais justa e igualitária.

Na próxima semana a coluna é do Pingo, o cachorro feliz e medroso. Certamente ele escreverá sobre um tema mais leve e fácil de digerir, mas depois eu volto. Por favor, sem preconceitos!

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