Ninguém há de negar que as eleições de 2018 e 2022 em Santa Catarina foram definidas por “ondas Bolsonaro”. Carlos Moisés, então no PSL, atropelou as grandes estruturas partidárias representadas pelas candidaturas de Gelson Merísio (então no PSD) e Mauro Mariani (MDB) e foi eleito. Quatro anos depois, a segunda leva coroou Jorginho Mello (PL) e sua chapa pura contra Moisés (à época no Republicanos), Gean Loureiro (União) e até Esperidião Amin (PP). Não se trata, portanto, de um Estado que elegeu apenas políticos de direita. Ele optou por um voto automático, muito bem refletido pela chegada de Jorge Seif (PL) ao Senado. Paira a dúvida: teremos uma terceira onda este ano? Jorginho parece convicto de que sim e formou uma composição em que coube apenas o Novo, partido que se consolida como força auxiliar do bolsonarismo. É a crença de que basta ter o monopólio da extrema direita para triunfar. A federação União/PP e o MDB foram defenestrados de suas cadeiras de uma forma até humilhante. Santa Catarina é um Estado com forte tradição de uma política tradicional. Ela vai barrar a tendência dos últimos pleitos?
Antecipar as chapas é o momento
Ainda em janeiro, Jorginho Mello deu a cartada que aparentemente definiu sua chapa para a disputa pela reeleição: Adriano Silva (Novo) como vice, Caroline de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) concorrendo ao Senado. Um de seus concorrentes será Gelson Merísio, que provavelmente se filiará ao PSB, com Ângela Albino, recém-chegada ao PDT, como vice. Os candidatos ao Senado devem ser Décio Lima (PT) e Dário Berger (talvez pelo PDT).
Velhos tempos
Aquele clima de tensão até a undécima hora parece estar dando lugar a uma sensação de imediatismo típico da era das redes sociais. E as chapas precisam ser fechadas o quanto antes.
Cenário nacional
Não é diferente no plano nacional. O presidente Lula se vê pressionado a definir seu vice logo; Flávio Bolsonaro debate abertamente a aliança que quer sinalizar. Um cenário muito diferente de eleições anteriores em que os candidatos chegavam a ser escolhidos nas convenções e acabam virando vice antes do fechamento das atas. Sinal dos tempos, não necessariamente positivo.