Fui cozinhar para amigos e utilizei a cozinha de um hotel para um pré-preparo do prato. Ao meu lado, um cozinheiro que nada falava. Não o conhecia, apesar de frequentar aquela cozinha quase que semanalmente.
Funcionário novo, pensei.
Diante daquele silêncio absoluto, resolvi quebrar o gelo e perguntei:
– És mudo? — perguntei, fazendo gestos com a mão perto da boca.
– No. Soy cubano.
O episódio foi suficiente para que outras cozinheiras que observavam a cena caíssem na gargalhada.
Destruição II
Alfredo – esse é o nome do cubano – esperou até que eu também sorrisse para finalmente relaxar e se mostrar mais receptivo à minha presença.
Engatamos uma longa e surpreendente conversa.
Confidenciou-me que entrara na Guiana Francesa como turista e, com a ajuda de um “coiote”, percorreu pela selva longas horas ao lado de tantos outros imigrantes ilegais que se apertavam em um veículo de pequeno porte.
Destruição III
Dentre tantas curiosidades que contava e que prendiam a atenção de todos que ali estavam, suas reclamações a respeito da impossibilidade de acessar centros de saúde – Cuba tem uma medicina reconhecidamente competente – e a necessidade de comprar remédios por contrabando o faziam elevar a entonação de voz.
Quando o questionei a respeito da sua família, contudo, o tom de indignação arrefeceu.
– No hay corriente — repetia com a cabeça baixa.
Alfredo fazia referência à falta de eletricidade na ilha. Segundo ele, sua família tinha duas horas de energia por dia, fato que dificultava muito o contato com a sua mulher, filhos e netos.
Ao lembrar de seus amores que ficaram em Cuba, os olhos daquele novo cozinheiro se encheram de lágrimas. Tentando amenizar, lhe dei um abraço que foi logo retribuído de forma intensa como se aquele gesto fosse um necessário desafogo.
Alfredo respirou e finalizou com uma frase desconcertante:
– Estou consciente de que as dificuldades da selva ou de de deixar minha família vão passar. Vim em busca de dignidade, algo que a família Castro retirou de milhares de cubanos em todos esses anos desse regime miserável.
Confirmado
O querido amigo André Valerim representará Tubarão no Campeonato Sul-Americano de Jet Waves. O evento, que acontecerá na Praia do Campeche, em Florianópolis, entre os dias 10 e 12 outubro, contará com a presença de outros grandes nomes da modalidade.
Estamos na torcida!
Casuísmo
O voto de Luiz Fux teve 419 páginas escritas e mais 14 horas de leitura. Logicamente, não há como discorrer tecnicamente sobre ele aqui neste espaço, nem há intenção de debater o mérito, mas, depois de ler análises de respeitáveis penalistas e de pesquisadores das jurisprudências do STF por longos anos e, ainda, despido de qualquer torcida política, podemos concluir algumas situações interessantes.
Fux votou pela condenação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e do general Braga Netto.
Ao condená-los – como ele próprio redigiu no seu voto – admitiu que se iniciou uma tentativa de golpe de Estado que envolvia, inclusive, a morte do ministro Alexandre de Moraes.
Disse mais: sustentou que Mauro Cid recebeu 100 mil reais de Braga Netto para avançar com o plano, fato que corroborava para que ambos fossem condenados.
Contudo, ao discorrer sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Luiz Fux deu um giro de 180º. Para o ministro, Bolsonaro não compactuou com as tentativas dos militares de tomar o poder e o inocentou.
Portanto – e este é o fato mais relevante do seu voto – Fux não nega que houve uma tentativa de golpe no país, mas, para ele, a responsabilidade pela intentona fica adstrita ao escalão inferior.
Casuísmo II
Há quem tenha criticado e muito o mérito do voto do ministro Luiz Fux. Eu penso diferente.
Mesmo que o tema já tenha sido debatido anteriormente no STF e, então, seria assunto superado, Fux acerta ao votar pela incompetência da 1ª Turma para julgar o ex-presidente Bolsonaro. O plenário da corte seria o mais adequado.
A insistência do ministro ao votar pela suspensão do processo por este motivo e divergir praticamente em todos os outros pontos do ministro relator é um fato que fomenta o contraditório e demonstra que, apesar de alguns discursos ideológicos, nós ainda vivemos em uma democracia.
Casuísmo III
Por fim, não há como deixar de lado o casuísmo do ministro Luiz Fux, que tem em seu currículo uma história de vida marcada por decisões duras e inflexíveis.
Para se ter uma ideia, Fux é o ministro que menos concedeu habeas corpus dentre todos os ministros da corte (quadro abaixo), demonstrando a sua rigidez quando se trata de direito penal.
Impossível também não mencionar que há pouco tempo Fux votou pela condenação de mais de 400 pessoas pelo episódio do 8 de Janeiro e, portanto, suscitar que o STF não seria o foro adequado para julgar o principal núcleo da trama, neste momento, é bastante contraditório.
Como bem disse o respeitado criminalista dr. Aury Lopes Jr: “Hoje ele apresentou mais divergências “pro reo” do que a soma de decisões de uma vida inteira. (...)”
Canto da beleza
A beleza de Sioni Warmling irradia com a graça de uma suave melodia. Yuri Gonçalves, um amigo talentoso e acostumado a produzir harmonias quando sobe nos palcos da vida, deve agradecer todos os dias por ter encontrado a sua nota perfeita.