Rapaz de 17 anos afirmou à polícia que ficar apreendido não mudaria nada para ele
A sensação de impunidade pode atrair jovens para a vida do crime. Um adolescente de 17 anos, apreendido em Braço do Norte, nem viu problema em afirmar isso aos próprios policiais militares, durante uma abordagem realizada no bairro Floresta.
Flagrado com drogas, ele disse aos agentes que “nove meses não era nada”.
O boletim de ocorrência do caso, registrado pela PM, aponta que o adolescente, com soberba, disse que era “dono do morro”, que saiu de Tubarão para “gerenciar o morro” e que os agentes podiam levá-lo para a delegacia. “Pode me levar que já volto embora”, disse. Para terminar, deixou claro o sentimento de impunidade. “Internação de nove meses não é nada para mim”.
O caso foi registrado na terça-feira, na rua Padre João Bosco Sombrio. De acordo com a PM, uma guarnição estava em rondas, em uma rua já conhecida pelo intenso tráfico de drogas, quando avistou um homem e o adolescente próximos de um bar. Assim que avistou a viatura, a dupla tentou fugir, dispersando uma pequena embalagem. Dentro, os policiais encontraram quatro petecas de cocaína e dez pedras de crack.
A dupla não assumiu a propriedade da droga. Com o homem mais velho também foram apreendidos R$ 20 e um tablet. O homem e o adolescente foram levados para a delegacia.
Sensação de impunidade
A Constituição de 1988 define que são penalmente inimputáveis os menores de 18 anos. No Brasil, esta idade coincide com a maioridade penal e menores de 18 anos respondem por infrações de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “As crianças e os adolescentes envolvidos, sobretudo no tráfico de drogas, já têm esse pensamento de impunidade arraigado”, explica a delegada Jucinês Dilcinéia Ferreira, titular da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami). “Eles têm esse pensamento de que nada vai acontecer e, caso aconteça, será por pouco tempo. Pra fazer o serviço no tráfico, eles acabam ganhando dinheiro e acreditam que isso compensa o tempo em que ficarão internados. Geralmente, internações provisórias duram 45 dias, podendo ser estendidos por mais 45. Dependendo da situação, esse período pode ser ainda maior, mas é algo mais difícil de acontecer”, detalha a delegada. Mesmo assim, ela afirma que a polícia segue trabalhando para coibir o tráfico e outros crimes que contam com a participação de crianças e adolescentes. “Vale ressaltar que o adulto por trás do crime também responde por corrupção de menores”.