Um garoto estudioso, dedicado a todos, que cresceu e realizou o sonho de cuidar das pessoas. Virou policial militar e, como diz a mãe, Sandra Aparecida Nunes, “sabia dos riscos que corria e, mesmo assim, amava o que fazia”. Foi durante a noite do dia 30 de novembro de 2020 que a vida do tubaronense Jeferson Luiz Esmeraldino e da sua família mudou para sempre.
Esmeraldino foi baleado no abdômen durante o assalto ao Banco do Brasil, em Criciúma, onde atuava no 9º Batalhão de Polícia Militar. Ficou dois meses internado e hoje segue acamado, vivendo na casa da mãe, em Tubarão. “Ele se alimenta por sonda e respira por traqueostomia. Não tem nível de consciência e o médico nos disse para não criar falsas esperanças”, explica Sandra.
É na casa dela, no bairro Passagem, que o soldado recebe os principais cuidados diários, tanto da família quanto do serviço contratado pelo governo do Estado. Enfermeiras se revezam 24 horas, além do tratamento de fisioterapia, fonoaudiologia e com nutricionista. Sandra explica que a casa não é adaptada e, por isso, enfrenta diversas dificuldades para cuidar do filho.
“Aqui ele recebe todo o amor e carinho, isso não falta. Mas a casa não tem estrutura adequada. Onde ele fica é uma sala ampla, faz muito frio, a janela dá direto para a estrada e não é muito seguro. Por isso, estamos pedindo ajuda para poder construir um espaço melhor para ele e também para quem apoia no tratamento”, conta.
O Instituto Nossa Família iniciou uma campanha de arrecadação de materiais de construção para criar esse espaço adaptado na residência da Sandra. A obra será feita atrás da casa atual, criando uma peça adaptada, onde Esmeraldino possa ter um quarto fechado, com mais privacidade, banheiro e uma área para a equipe que cuida dele. “Além disso, vamos fazer uma abertura lateral no portão, onde a ambulância poderá acessar a porta dessa edícula. Esses dias, para fazer exames, ele precisou ser deslocado de maca, na chuva, até a ambulância. O que queremos é dar mais conforto e segurança nesse sentido”, ressalta a mãe.
Quem quiser ajudar, pode doar através da conta 00145518-7 da Caixa Econômica Federal, agência 0425, operação 013 ou pela chave Pix 052.405.189-55, em nome do padrasto de Esmeraldino, Remiston Generoso Rodrigues.
“É tudo o que eu posso fazer”, diz mãe
Nesse fim de semana, a PM anunciou que Esmeraldino, hoje com 33 anos, foi reformado por incapacidade física. Na prática, significa a passagem oficial do tubaronense à condição de inatividade. Ele realizou recentemente uma punção para tratamento de hidrocefalia. O acúmulo de líquido nas cavidades internas do cérebro pode causar danos cerebrais. Porém, não foi observada melhora cognitiva. Segundo a mãe, Sandra, o Estado também tem dado todo o apoio no tratamento e o soldado já foi vacinado com a primeira dose da vacina contra a covid-19. A família também faz acompanhamento psicológico, incluindo a filha dele, de cinco anos. A menina mora com a ex-mulher de Esmeraldino. “Estamos sofrendo muito. Sempre digo que o tiro que ele levou dói mais na gente do que nele. Ele saiu de casa para trabalhar e voltou outro. Mesmo assim, dou graças a Deus que ele está aqui, que eu possa cuidar dele. Não é fácil, mas é tudo o que eu posso fazer”, finaliza Sandra.
Guilherme Corrêa