Um feito conquistado em dezembro de 2019, a fila zerada por vagas na educação ainda rende frutos em Tubarão. Ontem, o professor e vereador Maurício da Silva, que esteve à frente da Fundação Municipal de Educação nesta conquista, palestrou no Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) sobre o tema.
A palestra “Zeramento da fila de crianças para creches: caminho para melhorar a vida de crianças vulnerabilizadas e desenvolver o país. A promissora experiência de Tubarão” aconteceu em Florianópolis. Maurício diz que o assunto foi bastante elogiado, principalmente porque, segundo ele, a Esag, escola-referência na formação de administradores públicos e privados, trabalha muito com a identificação do problema e seu diagnóstico, e o caso da Cidade Azul mostrou a solução.
“Os alunos e professores que participaram da palestra se declararam motivados com o que apresentamos, pois mostramos a solução de um problema enfrentado em todo o país”, pontua.
Mas Maurício diz que a conquista é um trabalho diário e constante. “Manter esse índice também é um grande desafio, por conta da grande migração de famílias, com seis ou sete filhos, para Tubarão. Muitos deles venezuelanos, paulistas, gaúchos e moradores do Norte do país”, revela.
O sucesso da ação tornou Tubarão exemplo. “Mais de 60 municípios buscaram informações sobre a legislação e como foi feito esse processo. O próprio Ministério Público Estadual intermediou intercâmbio para mostrar a Chapecó e Joinville como foi feito aqui. Esse trabalho é uma grande intervenção social. Mães que não podiam trabalhar, agora podem. Filhos mais velhos, que tinham estudo sacrificado para cuidar dos mais novos, agora podem se dedicar mais. Com isso, é possível romper o ciclo da pobreza”, orgulha-se Maurício.
Para conseguir zerar a fila de espera, o município, além de ampliações e reformas nas unidades próprias, implantou o processo de compra de vagas na rede privada. “Um aluno na escola municipal custa o dobro da vaga que compramos na rede privada. Foi a solução mais rápida e barata. As famílias estão tendo cada vez menos filhos. Se fôssemos construir novas unidades, em dez anos não teria o que fazer com esses imóveis. Ainda assim, das nossas 43 escolas e creches, só cinco ainda não receberam revitalização completa”, comenta.