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Suicídio pode ser evitado na maioria dos casos

Voluntários do CVV falam sobre a importância de saber ouvir e dar apoio emocional a quem precisa

07/09/2019 06:00

No setembro amarelo, dedicado a tratar com um olhar mais atencioso à prevenção do suicídio, diversas entidades e órgãos se mobilizaram a respeito do assunto. O suicídio, há muito tempo, é tema evitado na sociedade. O suicídio é um fenômeno complexo de várias causas e razões, como a depressão, o uso de drogas e a solidão, entre outros fatores de risco.


“Ao contrário do que muitos pensam, a vítima não quer simplesmente tirar a própria vida. É um ato de desespero de alguém que já não vê mais solução para seus problemas”, afirmam especialistas. Por isso, a importância da campanha e do trabalho realizado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), que tem como objetivo ouvir e dar apoio emocional a quem precisa.


“Quando se fala em prevenção, é necessário primeiro quebrar esse tabu que ainda está presente na nossa cultura, e ainda buscar a melhor forma para se tratar do assunto. É, ainda, aprender que o ser humano, muitas vezes, necessita de auxílio”, afirma o fisioterapeuta Jervis Fernandes, de 36 anos, voluntário do CVV em Tubarão.


“Nós recebemos treinamentos específicos para atender as ligações que a outra pessoa faz. O voluntário atua no atendimento a outra pessoa através do telefone”, conta.


“Muitas vezes, estamos rodeados de pessoas (amigos, família), e não somos ouvidos, muito menos escutados de maneira atenta. O ato de conversar, de desabafar, ajuda muito na diminuição desses sintomas. Então, o objetivo do CVV é o acolhimento, é ouvir escutando, dando atenção àquele que liga. A ligação é sigilosa, o que facilita a confiança da outra pessoa aos voluntários do CVV”, conclui Jervis.


Objetivo é valorizar a vida de cada pessoa

Os transtornos de ansiedade e depressão estão aumentando cada vez mais no Brasil e no mundo, e esses são grandes precedentes do suicídio. “Então, a atenção que nós podemos ter no nosso ambiente doméstico e no nosso convívio social está relacionada a esses transtornos. Mas o que é mais importante é aprendermos a escutar as pessoas com quem convivemos, é darmos atenção ao próximo”, pontua. “Esse é o grande objetivo do setembro amarelo, de valorizar a vida de cada um de nós e a do próximo”, completa o voluntário do CVV Jervis Fernandes.


Para a jornalista e também voluntária do CVV em Tubarão Beatriz Juncklaus, de 23 anos, falar sobre transtornos mentais ainda é considerado um tabu na sociedade. “Cada vez mais, precisamos falar, de forma responsável, sobre o assunto, seja em grupos de amigos, família, ou até mesmo através da imprensa. Conversar sobre isso nos faz entender melhor esse problema de saúde pública e sobre a forma com a qual podemos auxiliar as pessoas que passam por algum sofrimento emocional. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio podem ser evitados, desde que existam condições mínimas para a oferta de ajuda voluntária ou profissional”, diz.


Como funciona o CVV

No CVV, os voluntários prestam um serviço de apoio emocional e prevenção ao suicídio, por meio de uma escuta acolhedora, através do telefone 188 (gratuito, nacional, e que funciona 24h por dia, todos os dias). Quem desejar ser voluntário do CVV, é preciso ter, no mínimo, 18 anos, passar por um treinamento (ofertado pelo próprio CVV e gratuito) e ter a disponibilidade de quatro horas por semana para realizar o plantão no posto. Quem quiser pode procurar a página do CVV Tubarão (facebook.com/cvvtubarao) e enviar uma mensagem. Para saber mais sobre o trabalho, é só entrar em www.cvv.org.br.

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