Uma nova variante do coronavírus, chamada de BQ.1, foi identificada esta semana no Rio de Janeiro. A variante já havia sido encontrada no Amazonas em 20 de outubro, de acordo com a unidade da Fiocruz no estado, o que fortalece a suposição de que ela circula em diferentes locais do país. A descoberta coloca novamente a área da saúde em alerta para uma nova onda de covid-19 no país.
De acordo com o presidente do Cosems (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Santa Catarina), Daisson Trevisol - diretor-presidente da Fundação Municipal de Saúde de Tubarão -, a possibilidade de uma onda de covid-19 está mais relacionada à nova circulação e à baixa imunidade. “Quando temos uma imunidade alta normalmente não acontece uma nova onda. A preocupação é que muitas pessoas já estão com a vacinação deficitária, sem estar com todas as doses atualizadas”, explica.
Esta nova variante, segundo Daisson, tem a transmissibilidade diferenciada e pode chegar até nós, aumentando a incidência. “O número de casos em Tubarão, por exemplo, aumentou nas últimas semanas, e é necessário fazer a atualização da carteira de vacinação”, ressalta.
Sobre o risco de agravamento da doença e nova lotação nas UTIs, Daisson acredita ser improvável, mas normalmente em uma pandemia deverá haver novamente um pico de casos, que pode gerar pico de internação em UTI e até óbitos. “Mas isso, reforço, novamente dependerá da imunização. Se ela estiver completa, é muito difícil destes picos acontecerem. A menos que a variante seja algo muito diferente, o que não é o caso agora”, destaca. Em Santa Catarina ainda não houve alterações significativas.
Baixa procura por vacinas preocupa
A campanha de vacinação contra a covid-19 segue em Tubarão, mas nem toda a população vacinável recebeu o imunizante. Na cidade, 93,72% dos moradores foram imunizados com as duas doses. Na primeira de reforço, 84,34% das pessoas de até 60 anos receberam o imunizante, bem como 64,32% das crianças de até 12 anos de idade. A porcentagem do segundo reforço é de 49,49%, para pessoas de até 60 anos, e 27% para a população de até 25 anos.
Entre os adolescentes de 12 a menores de 18 anos de idade, 82,27% foram vacinados com as doses primárias e somente 21,77% dos menores de 17 anos receberam o primeiro reforço. A preocupação maior é em relação ao público infantil, já que somente 5,52% das crianças com cinco anos de idade ou menos receberam a primeira dose da vacina, e 2,26%, a segunda.
“É importante destacar que a vacina é a única forma de prevenção e proteção contra o vírus, e deve ser tomada por todos para que não surjam novas ondas que propaguem maior disseminação do vírus. É fundamental que as pessoas atualizem os esquemas vacinais com as doses de reforços e também que as crianças se vacinem, para interromper a cadeia de transmissão, reduzir o número de hospitalizações, casos graves e óbitos”, ressalta a coordenadora de Imunização da Fundação Municipal de Saúde, Shaiane Salvador.