No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado ontem, dados apontam que uma a cada 44 crianças tem diagnóstico do transtorno. No Brasil, a Organização Mundial de Saúde estima que cerca de dois milhões de pessoas tenham autismo.
Com o objetivo de gerar reflexão sobre o assunto e buscar soluções em conjunto para os desafios encontrados, será lançada amanhã, às 10h, na Assembleia Legislativa, a Frente Parlamentar em Defesa das
Pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A iniciativa é do deputado estadual Pepê Collaço (Progressistas).
“Os casos de autismo têm aumentado no mundo. E é por isso que defendo uma ampla discussão de inclusão dessas pessoas na sociedade, oferecendo uma perspectiva mais humanizada”, destaca o deputado.
Durante o evento de lançamento, os médicos Jaime Lin e Michel Ghisi Callegari, de Tubarão, ministrarão as palestras “TEA, o que sabemos?” e “O que devemos saber sobre o autismo?”.
Capivari realizará palestra sobre o transtorno
A secretaria de Saúde de Capivari de Baixo, através do Núcleo de Apoio à Família – Nasf e apoio da secretaria de Educação, promove quarta-feira uma ação alusiva ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, com o tema “Autismo e os desafios na educação inclusiva”.
A palestra é da psicopedagoga e neuropsicopedagoga Soraya De Pieri, analista do comportamento para autismo e deficiência intelectual e vice-presidente da AMA-Sul.
A palestra abordará o tema “Autismo: compreensão do sujeito e da sua individualidade para buscar possibilidades através de práticas inclusivas baseadas em evidências científicas e neurociências”.
O evento será às 19h30, no Centro de Convivência da Terceira Idade, tendo como público-alvo professores e funcionários da Educação do município.
Inclusão no ensino superior ainda é desafio
O universitário Silvano Furtado da Costa e Silva, de 23 anos, estava no 8º período da faculdade de Direito quando teve seu diagnóstico de autismo, em 2020. Ele ajudou a construir Política de Acessibilidade Pedagógica (PAP) da Faculdade de Direito da USP.
“No primeiro ano da pandemia, eu tive várias questões psicológicas, passei por alguns tratamentos e tive meu diagnóstico de autismo. Fiquei um pouco vulnerável. Em uma reunião aberta entre os alunos e a representação discente da faculdade, eu disse à época que eu não pisaria nesse prédio novamente depois de pegar meu diploma, caso a faculdade não mudasse a forma como lida com seus alunos neurodivergentes”.
A manifestação de Silvano fez com que ele fosse convidado a integrar a representação dos estudantes. “Assim, começamos a desenhar uma política de avaliações alternativas de acessibilidades pedagógicas”, contou.
O universitário colaborou na construção da Política de Acessibilidade Pedagógica (PAP) da Faculdade de Direito da USP, uma das mais antigas e tradicionais do Brasil. “A São Francisco é a única faculdade pública do Brasil a ter uma política assim, o que por si só é genial, pois tais normas, se cumpridas, dão conta de realizar a inclusão. Mas, a meu ver, o grande mérito dessa política foi ter atuado contra a invisibilização de pessoas autistas no mundo acadêmico e colocado o debate na mesa acerca da neurodiversidade”, aponta Guilherme de Almeida, presidente da Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas (Ania/BR).
Números de universitários com TEA
Segundo dados mais recentes do Censo da Educação Superior, de 2021, no Brasil, estão matriculados em cursos de graduação presenciais e a distância 4.018 pessoas com transtorno global do desenvolvimento (TGD). O transtorno do espectro autista (TEA) é um dos cinco tipos do TGD. Sendo assim, todos aqueles que têm algum grau de TEA possuem um TGD.