Psicóloga apresenta alerta sobre os jogos online, amplamente difundidos entre crianças e adultos no mundo inteiro
Os jogos online e as plataformas de apostas esportivas, conhecidas popularmente como “bets”, conquistaram milhões de usuários nos últimos anos. Acesso que começa como entretenimento, uma forma de lazer ou, até mesmo, como uma tentativa de ganhar dinheiro extra, pode se transformar em um problema sério quando a atividade passa a interferir na vida pessoal, profissional, financeira e emocional.
A psicóloga Fabiana Faust Fretta, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, referência em dependência em jogos e outras demandas, do Complexo Médico Provida, alerta que o vício em jogos eletrônicos e apostas é uma condição que merece atenção, principalmente porque muitas vezes o comportamento compulsivo costuma se desenvolver de forma gradual.
“Inicialmente, a pessoa joga ou aposta por diversão, para aliviar o estresse ou buscar emoções positivas. Com o tempo, pode surgir uma necessidade cada vez maior de permanecer conectada, apostando valores mais altos ou dedicando mais horas aos jogos para sentir a mesma satisfação”, destaca Fabiana.
A especialista explica que esses softwares interativos são projetados para manter a atenção das pessoas pelo maior tempo possível. Uma das características mais populares é a recompensa variável: o não saber quando ganhará. Incerteza que gera motivação para continuar jogando e quando recebe uma gratificação (vitória, bônus ou prêmio surge a dopamina, que é um neurotransmissor produzido pelo cérebro, também conhecido como “molécula da motivação” ou “hormônio da felicidade” – mecanismo que ativa circuitos cerebrais de recompensa que podem explicar o potencial de dependência.
Público
“O cérebro reage mais fortemente quando não sabe se vai ganhar do que quando sabe que vai ganhar, por isso é tão difícil parar de jogar. Some-se a isso, a facilidade de acessar em um celular, a qualquer hora do dia ou da noite, e, no caso dos jogos de azar, a chance de ganhar dinheiro. E é o conjunto de fatores que levam as pessoas a terem uma relação problemática com esse entretenimento”, explica.
Número de adultos entre 20 e 50 anos “viciados” em jogos tem aumentado
Crianças e jovens são considerados grupos de risco, mas, na prática clínica, o número de adultos com vícios cresce, especialmente entre homens de 20 a 50 anos. “Temos observado atualmente cada vez mais mulheres, pessoas casadas e profissionais com carreiras estabelecidas procurando atendimento por dificuldades relacionadas às apostas. Em outras palavras, não há um perfil único. Impulsividade, problemas emocionais, estresse e fácil acesso às plataformas são fatores que aumentam o risco, independentemente da idade”, ressalta a psicóloga Fabiana Faust Fretta.
“Um sinal muito característico do jogo é quando uma pessoa perde dinheiro e volta a apostar tentando recuperar o que foi perdido. Esse ciclo geralmente piora progressivamente a situação. Vale destacar que várias modalidades que não parecem apostas à primeira vista funcionam com a mesma lógica: expectativa, recompensa e repetição, despertando preocupação entre pesquisadores por utilizarem mecanismos semelhantes aos observados nos jogos de azar”, completa.
A diferença, conforme a psicóloga, entre ter um hobby ou um transtorno é o efeito que a atividade tem na vida de uma pessoa. “Aqueles que jogam como hobby podem se divertir, estabelecer limites e parar quando querem. Quando há transtorno, o jogador perde gradualmente o controle da situação, mesmo diante de perdas financeiras e tensões familiares. O que antes era um lazer, vira necessidade”, alerta.
Bets
São plataformas virtuais ou aplicativos de apostas. O termo vem do inglês to bet (apostar). No Brasil, esse nome popularizou-se ao se referir a sites voltados a apostas esportivas (como palpites em partidas de futebol) e jogos de cassino online.