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Psicóloga alerta: crianças também têm ansiedade

01/07/2020 06:00

Ansiedade é o nome que se dá às mudanças que acontecem no corpo e na mente quando é preciso se defender de um perigo real ou imaginário. Na criança, segundo a psicóloga do Centro Médico Unimed Tubarão Mayra Savi Camilo, a ansiedade pode exercer uma forte interferência atrapalhando o seu rendimento escolar, vida social e afetando toda a família. Nos casos mais graves, pode marcar o início de angústia e tormentos, podendo levar a problemas mais sérios, como a depressão.

Nos últimos meses, as pessoas passaram a ter que conviver com o distanciamento social provocado pela covid-19, o que gerou profundas mudanças na rotina. A psicóloga ressalta que para uma criança é muito mais difícil racionalizar a vivência de uma pandemia, pois ela ainda não possui recursos cognitivos necessários para compreender algo como o coronavírus. “A resposta da criança a esta situação dependerá, em alto grau, da sua condição cognitiva e emocional, e esta tem a ver com os adultos que a cercam”, avalia.


Na opinião de Mayra, as crianças se guiam pela observação de seus pais e familiares por meio da interação entre si e com elas. Segundo a psicóloga, o estresse surge da confrontação entre uma situação desconfortável e o recurso que o indivíduo tem para lidar com ela. Logo, não compreendendo direito a situação e reagindo principalmente às mudanças que percebe no comportamento dos familiares e em sua rotina, é comum haver na criança alteração no sono, no apetite, aumento de choro, da agressividade e da raiva.


A psicóloga diz que é preciso estabelecer horários e rotinas no ambiente doméstico e também promover atividades que ajudem a estruturar o dia e favorecer a interação, auxiliando nas tarefa de casa, incentivando à leitura, à contação de histórias, e também à prática de desenhar, colorir, praticar brincadeiras e jogos e até exercícios físicos leves.

 

Necessidades psicológicas universais

Estudos recentes revelam que os problemas emocionais e comportamentais mais prevalentes são a distração, a irritabilidade e o medo de questionar sobre a pandemia e querer ficar “agarrado” aos familiares, sobretudo crianças menores, entre três e seis anos. O estresse, segundo a psicóloga, pode levar à ansiedade, e quando a origem do estresse é a percepção de um evento ameaçador, é preciso atentar para três necessidades psicológicas universais: relacionamento ou senso de pertencimento (sentir-se aceito e compreendido pelos outros), competência (sensação de manutenção do controle da situação para gerenciar os desafios) e autonomia (ter a chance de agir e acreditar em sua capacidade de realizar tarefas ou tomar decisões).

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