Artigo
Nas últimas semanas, viralizou nas redes sociais uma brincadeira nostálgica com fotos de 2016. Ao entrar nessa trend, encontrei o comprovante do meu primeiro voto, nas eleições municipais de Tubarão daquele ano, quando tinha apenas 16 anos.
Apesar de crescer em uma família interessada em política, foi com a emissão do título de eleitor que conquistei autonomia para fazer minhas próprias escolhas, lidar com suas consequências e refletir sobre em quem depositar meu voto de confiança.
Essa experiência foi fundamental para a formação da consciência social e política que guia minha trajetória até hoje, mas, acima de tudo, me trouxe o sentimento de dever cumprido ao participar da construção do futuro do país, na qualidade de cidadã, pagadora de impostos e, sobretudo, brasileira.
Este texto, porém, não é sobre mim, mas sobre a importância de incentivar a juventude, em fase de aprendizado e transição para a vida adulta, a participar efetivamente da democracia por meio do voto. O voto é uma das formas mais importantes de participação na vida democrática e permite que cada cidadão contribua para o futuro do país. O voto é tão democrático que é igual para todos, independentemente de origem, renda, raça, idade ou orientação sexual. Cada voto tem exatamente o mesmo peso e essa é justamente a beleza da democracia.
Vale lembrar, inclusive, que essa realidade é recente, já que até a Revolução de 1930 apenas homens ricos tinham direito ao voto. Para jovens de 16 a 18 anos, essa conquista é ainda mais nova. Ela foi resultado da mobilização juvenil durante o processo constituinte de 1988, quando milhares de jovens exigiram o direito de votar. Em 2022, o número de eleitores entre 16 e 17 anos no Brasil era de 1,8 milhão.
Mesmo assim, vivemos hoje uma crise de representação política. Grande parte da população não confia nos políticos, não se sente representada e não vê promessas de governo se concretizarem no cotidiano. No caso da juventude, esse distanciamento é agravado pelo fato de muitos jovens não se reconhecerem como um grupo social com demandas e necessidades específicas, como acesso à educação, trabalho, lazer, esporte e políticas públicas que garantam um desenvolvimento saudável, física e mentalmente. Ao mesmo tempo em que não se sentem representados, muitos também não acreditam que sua participação direta possa mudar os rumos da política.
O resultado é o aumento da abstenção eleitoral e o desinteresse em emitir o título de eleitor. Ser jovem e edificar uma vida confortável hoje é mais difícil do que foi para gerações anteriores, e essa realidade precisa mudar.
Por isso, é fundamental se atentar ao prazo final de alistamento eleitoral, em 6 de maio de 2026. O processo é simples e pode ser feito on-line pelo site do Tribunal Superior Eleitoral ou presencialmente no cartório eleitoral. Jovens de 15 anos que completam 16 até 4 de outubro também já podem solicitar o título.
Se a juventude não se interessar e debater política, alguém fará por nós e não necessariamente vai ter interesse em nos ouvir. Não somos o futuro do Brasil, somos o presente!