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Luta contra o racismo é constante

09/06/2020 06:00

Nas últimas semanas a luta contra o racismo ganhou mais atenção em todo o mundo. Mas o combate a este tipo de crime é constante para quem sofre na pele o preconceito e a desigualdade.


Gilson Travasso, 37 anos, de Tubarão, passou recentemente por uma situação em que sua cor de pele foi alvo de agressões verbais por parte de um vizinho. Proprietário de uma boutique automotiva, ele disse que uma discussão que poderia ter sido resolvida pacificamente acabou gerando até Boletim de Ocorrência. “Mesmo eu estando certo, fui muito ofendido, mais de uma vez. Fui chamado de ‘nego, favelado, bandido, traficante’. É horrível passar por isso, principalmente em ver a relação que foi feita pela minha cor de pele com outros xingamentos. Não podia aceitar calado e fiz um BO”, conta.

Ele disse que esta não foi a primeira vez que passou por uma situação assim e um outro caso de racismo sofrido por ele está na Justiça há cerca de cinco anos.


Para o professor e vereador Paulo Henrique Lúcio, o racismo sempre existiu, algumas vezes mais velado outras de forma mais explícita. “Infelizmente o assunto acaba vindo mais à tona quando uma situação trágica acontece, como agora com o norte-americano George Floyd e o pequeno Miguel”, avalia.


Mas segundo Paulo, que fundou há cerca de seis anos o Fórum da Igualdade Racial, a única saída para buscar acabar com o racismo é uma política pública que regule ações e garantam o direito ao respeito entre às pessoas. “Não é uma igualdade entre as pessoas, já que todos são diferentes, mas igualdade de direitos, de oportunidades. Só assim, com uma regulamentação que limite ações e promovam o respeito será possível vencer”, avalia. “Já senti ao longo da minha vida muitas situações com o racismo, e continuarei lutando para que este assunto venha à luz não somente mediante às tragédias, mas sim pela busca da consciência”, pontua.

 

Casos chocantes

Na semana em que protestos motivados pela morte de um homem negro, George Floyd, por um policial branco nos Estados Unidos se espalharam também pelas redes sociais brasileiras com o slogan traduzido para o português “Vidas negras importam”, o filho negro de uma empregada doméstica, Miguel Otávio, morreu ao cair de um prédio no Recife, enquanto estava aos cuidados da patroa (branca) de sua mãe. Ela o deixou sozinho no elevador, de onde o menino saiu em um andar errado e caiu de uma altura de 35 metros. A patroa foi presa e indiciada por homicídio culposo. Ela pagou R$ 20 mil de fiança e vai responder ao processo em liberdade.

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