Considerando os dados analisados e a situação atual, o Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, de Laguna, não possui viabilidade econômico-financeira para manter suas atividades, visto que as receitas auferidas pelo hospital não são suficientes para cobrir os custos e despesas necessários para manter suas operações, tampouco quitar as dívidas contraídas no passado.
A conclusão é da auditoria da empresa Atual Contábil, contratada pela direção do hospital para aferir as contas e apresentar um diagnóstico sobre a saúde contábil da instituição, que foi apresentada na noite de segunda-feira.
De acordo com o diagnóstico, mantendo-se as condições econômico-financeiras deficitárias, “embora o hospital venha conseguir credibilidade ao pleitear empréstimos para melhorar seu fluxo de caixa, esta atitude seria apenas uma medida paliativa, pois, considerando o déficit econômico mensal projetado, a situação financeira seria agravada novamente em um grau maior, aumentando ainda mais o endividamento”, pontua.
“Infelizmente, se o hospital não auferir receitas suficientes para cobrir seus custos, despesas e para o pagamento de endividamentos já existentes, o diagnóstico indica que a paralisação das atividades poderá ser inevitável”, conclui o diagnóstico.
Hoje, a dívida total do hospital é de R$ 9.663.536. E sua receita mensal gira em torno de R$ 550 mil, porém as despesas ultrapassam R$ 750 mil.
De acordo com a administradora do hospital, Cheyenne de Andrade Leandro, realmente a situação apresentada se confirma, e o hospital corre mesmo o risco de fechar as portas caso a situação não seja resolvida. “A direção se reuniu com o secretário de Estado da Saúde, pleiteando um repasse maior. Também estamos no aguardo da liberação da CND para tentar novos convênios”, diz. “Um plano de recuperação da viabilidade econômica também está em elaboração pela administração hospitalar”, completa.
À espera da CND
No dia 22, o hospital de Laguna conseguiu obter medida cautelar para garantir a expedição da Certidão Negativa de Débito (CND). Na prática, a unidade poderá continuar recebendo recursos, assim como repactuar os convênios vencidos com entidades públicas e privadas. O término do contrato que garantia a distribuição de recursos ocorreu em 30 de julho, e motivou a suspensão dos atendimentos eletivos, mantendo apenas urgências e emergências.