Por tabu ou medo, muitas mulheres não fazem exame ginecológico de rotina
O medo e a desinformação criam uma crise silenciosa na saúde da mulher: dados de 2024 (Sisab/ImpulsoGov) revelam que mais de 36 milhões de brasileiras entre 25 e 64 anos deixaram de realizar o exame de Papanicolau no período de três anos. A ginecologista Lisandra Radaelli, de Tubarão, alerta que essa negligência, motivada por tabus e por informações incorretas encontradas na internet, expõe milhões de mulheres a riscos desnecessários de câncer de colo do útero, ISTs e HIV.
Para a ginecologista, a principal barreira é a percepção equivocada de saúde e a desinformação sobre a função da consulta de rotina. “A grande maioria das mulheres que não vai ao consultório diz que se considera saudável e que tem todas as informações de que precisa no celular e que não sente necessidade de ir ao ginecologista. Esse é um erro gravíssimo, pois a prevenção não espera o sintoma. Doenças como o câncer de colo do útero (altamente ligado ao HPV) ou mesmo o HIV podem ser assintomáticas por longos períodos. Se a mulher só procura ajuda na dor ou na queixa, perdemos a chance de um diagnóstico precoce e curativo”, alerta Lisandra.
Idade
A resistência é particularmente forte entre as jovens: embora a recomendação da Febrasgo e da Sociedade Brasileira de Pediatria seja iniciar o acompanhamento entre 13 e 15 anos, a média da primeira consulta no Brasil ainda é tardia, por volta dos 20 anos.
A médica enfatiza que a consulta de rotina, que deve ser anual, é a principal ferramenta da prevenção combinada, permitindo o diagnóstico precoce de HIV, a vacinação contra HPV e a orientação adequada sobre PrEP e PEP.