Um pai, uma mãe, os filhos gêmeos e a vontade de unir a família através da gastronomia afetiva. Foi assim que surgiu o projeto “Meu Pai é o Chef”, que hoje é sucesso na casa deles, entre amigos e nas redes sociais (no Instagram @meu.paieochef).
De acordo com o idealizador, no caso o pai, Felipe Felisbino, de Tubarão, a ideia surgiu da necessidade interna da própria família, dentro de casa. “Percebíamos que estávamos nos desconectando, principalmente no período da pandemia, onde estávamos todos enclausurados, e tínhamos que buscar alternativas de reunir a família e também de dar novos horizontes para os meninos”, conta.
Foi então que Felipe e a esposa, Andréa, reuniram os filhos gêmeos Lucas e Gabriel, de 14 anos, para resgatarem receitas com memórias afetivas, “nossas e deles, e passamos a prepará-las”, afirma.
“Pensando nisso, e para envolver os meninos, para que eles tenham participação e valorizem cada vez mais a família, começamos com esta ideia, lembrando que antigamente as famílias se reuniam em torno da mesa, tinham o prazer do almoço, do jantar, do café em família nos fins de semana, nas visitas aos avós, aos parentes, no almoço tradicional de domingo. Buscamos resgatar receitas deles na convivência com a avó materna, envolvendo desde o resgate das receitas até o momento de fazer, arrumando o ambiente, a mesa, ajudando no preparo, debatendo os ingredientes”, diz Felipe.
História e cultura dos alimentos na cozinha
Mas não era apenas fazer e, claro, degustar as receitas. O projeto foi além e se estendeu para os ensinamentos, de quanto custaria a receita, se fosse para ser comercializada por quanto seria, qual a memoria afetiva, como era realizada, qual a adaptação que poderia ser feita.
“Os meninos começaram a se envolver com isso, tomar gosto pela convivência em família, estão se abrindo mais, dialogando muito mais, apresentam opiniões, trocam ideias. No momento em que estamos ali mexendo com as panelas, com os ingredientes, busco também pelos seus palpites, o que podemos mudar. Isso nos deu uma interação fantástica, prazerosa, uma sensibilidade amorosa. Além disso, buscamos mostrar a valorização e gratidão pelo alimento, a oportunidade de estudar, analisar uma receita, fazê-la e passar adiante”, pontua. “Hoje recebemos amigos, deles e nossos, e juntos também fazemos as receitas. Vai todo mundo para a cozinha e isso tem sido fantástico”, completa.
Felipe buscou educar pelas receitas, além do lado financeiro, também a cultura. “A cada receita buscamos de onde vem os ingredientes, qual sua história, valores culturais. Sempre agregamos a composição geográfica, etnias, o colonial, o caseiro, o industrializado. Cada receita é um aprendizado. O ganho disso tudo é a convivência familiar, e a mesa é como o centro de convergência amorosa. A cozinha é o grande centro de eventos da família, é o momento da risada, da descontração, de tornar tudo prazeroso. Hoje a cozinha e o fogão indicam que alguma coisa interessante e gostosa vai sair. Até o lavar a louça é descontração”, comemora Felipe.
Ideia familiar se transformou em projeto para o Sebrae
A ideia familiar deu tão certo que o projeto foi apresentado ao Sebrae e ficou no Co-criation, no 2º lugar na regional Sul. “Além da proposta da integração familiar, apresentamos a proposta que possa ser aplicada no mercado para o aprofundamento do convívio empresarial, das relações comerciais, dentro e fora da empresa, com o mercado e com os funcionários. Um plano de metas é uma receita e ela precisa ser executada e concluída com êxito, e para isso é preciso contar com o trabalho de grupo. Criar cumplicidade e passar a entender mais o outro que divide comigo o trabalho”, ensina Felipe Felisbino.