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Família gerada no coração fala de amor

13/08/2021 06:00

A adoção é um ato de amor. E para o casal tubaronense Greice Campos Cargnin Ribeiro e Roberto Dias Ribeiro Junior, os filhos Catarina, de dois anos, e Ravi, de quatro, nasceram dentro de seus corações de pais. Casados há 17 anos, após dez anos de matrimônio, eles souberam que não poderiam ter filhos biológicos.


“A vontade de adotar sempre foi um objetivo na minha vida. Mesmo se um dia tivesse um biológico, eu teria pelo menos um adotivo. Sempre tive exemplos na minha família, e na do meu esposo também. Ser mãe e/ou pai não precisa ser biológico, pode ser por adoção. Desde então, meu marido e eu tivemos muitas conversas sobre a questão e o meu marido topou entrar na minha vontade de adotar”, fala Greice.


A tubaronense conta que, quando decidiram adotar, foram ao Fórum de Tubarão. “Lá, nos passaram as informações necessárias para entrar no processo de habilitação e nos explicaram todos os procedimentos. Com tudo em mãos, começou nossa gestação sem prazo para nascer. O processo durou quase um ano para finalizar, até estarmos habilitados para ser pais adotivos. E, aí sim, entramos na fila de espera”, relembra Greice.


Para o casal, a gestão fora do útero já era para dois filhos. “Nosso perfil era para crianças de zero a cinco anos e poderiam ser irmãos. Como eu já havia trabalhado com crianças nessa faixa etária, já estava mais acostumada a lidar”, revela.


Quatro anos de espera e a surpresa

Greice lembra que a espera pelos filhos foi de quatro anos. “Até que dia 11 de dezembro de 2019, recebi a ligação do Fórum comunicando que tinha dois presentes de Natal para nos dar. A emoção tomou conta na hora, eu estava num cartório da cidade e a menina que me atendia chorou comigo quando contei o porquê do meu desespero”, conta.


Após saber da notícia, Greice diz que ela e o marido ficaram sabendo que eram dois irmãos: uma menina, de um ano, e um menino, de três. “Todos das nossas famílias são apaixonados por eles. A adoção veio para completar nossa família e é uma prova de amor. Não escondemos de ninguém sobre eles. Apesar de serem muito parecidos com a gente, às vezes passam discretamente como biológicos. Adoção é um amor diferente, nasce dentro do coração e não no útero”, complementa Greice.


Procura por crianças maiores aumenta

De acordo com a psicóloga forense da comarca de Tubarão, Leda Pibernat Pereira da Silva, ainda é preferencial a procura por bebês na hora da adoção. “Embora ao longo dos anos se observe uma mudança gradual nesse perfil. Hoje em dia, muitas famílias já se habilitam para adotar grupos de irmãos e crianças um pouco maiores, até seis ou sete anos. Além dessa faixa etária ainda são poucos os casos”, explica Leda.


Na comarca de Tubarão, nos últimos seis meses, já foram adotadas sete crianças, sendo seis deles de Tubarão. As idades variam de recém-nascido a dez anos”, contabiliza Leda. Aos que tiverem interesse em adotar uma criança, a psicóloga orienta que é preciso se habilitar procurando o Fórum da sua comarca. “Lá receberá as informações iniciais, os documentos que deve apresentar, os passos da habilitação. Somente depois dessas etapas, e estando tudo ok, a família passa a oficialmente fazer parte dos cadastros de adoção e serão chamadas a adotar de acordo com o perfil selecionado da criança. O tempo de espera vai depender do perfil para o qual a família vai se habilitar. Quanto menor a criança, mais tempo de espera”, completa Leda.


Para Greice, o tempo de espera foi tranquilo. “Nos desligamos. A ansiedade é um mal que não nos atingiu. Nossas conversas giravam em quando eles chegariam e o que precisaríamos. Dou a dica de esquecer a fila. O telefone vai tocar quando menos se espera”, diz a mãe de Catarina e Ravi.

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