Se para alguns chegar à terceira idade é motivo para descansar, para a vovó Ana Juça Neto Macalossi é tempo de aprender. Aos 74 anos, a moradora da comunidade de Três Barras, em Orleans, é exemplo para os netos. No domingo, ela comemora o Dia dos Avós da maneira que mais gosta: estudando.
Há três anos, Ana Juça colocou em prática um antigo sonho: estudar. Mãe de quatro filhos, a idosa tem sete netos e quatro bisnetos e conta que nunca pode ir à escola quando era jovem. “O pouco que sabia aprendi com minha mãe. Depois os filhos me ajudaram. Porém, queria mais”, conta a idosa. Foi quando ela descobriu o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Desde então, sua sede por aprender a motivou ainda mais. Apesar da idade, ela dribla todas as adversidades. Antes da pandemia, ela percorria aproximadamente 30 km para estudar. Agora, com o isolamento social, em casa, ela dá continuidade no aprendizado. “Não é apenas só sobre ler e escrever, é preciso saber mais”, relata a aluna do 6º ano da EJA.
Ana Juça conta que as professoras contribuíram para o seu conhecimento. “Todas sempre foram atenciosas e dedicadas”, detalha a vovó. Agora, por conta da pandemia da covid-19, a orleanense segue com os estudos em casa, onde os materiais didáticos são entregues. “Conto com a ajuda dos netos e, agora isolada, uma filha tem me ajudado. Sinto falta da escola, mas sei que é para nosso bem”, diz Ana Juça.
“Quero que todas possam ter oportunidades. Eu amo estudar e não pretendo parar enquanto tiver saúde. Nunca é tarde para ir atrás dos sonhos. Minha família me apoia e isso que importa”, fala Ana Juça.
Como o dia dos avós surgiu?
O Dia dos Avós é comemorado anualmente em 26 de julho, Dia de São Joaquim e Santa Ana, os avós de Jesus. Popularmente conhecido como Dia da Avó ou Dia da Vovó no Brasil, a data surgiu em Portugal e tem como objetivo homenagear e agradecer toda a consideração e carinho dos avós com os seus netos.
Daiane Fernandes