Projeto utiliza peça para aproximar estudantes dos clássicos da literatura
Transformar livros em experiências vivas e acessíveis é a proposta do projeto Literatura Viva, desenvolvido pelo ator, produtor cultural e arte-educador Eduardo Magagnin. Desde 2014, a iniciativa percorre escolas de Santa Catarina utilizando a linguagem teatral para estimular a leitura e ampliar o contato dos estudantes com obras presentes nos principais vestibulares do estado.
O projeto também tem passado por espaços culturais e educativos da região. Em Tubarão, uma das apresentações ocorreu no Praça Shopping, reunindo estudantes e público interessado em conhecer obras consagradas da literatura brasileira.
Atualmente, o projeto conta com três espetáculos em circulação. Entre eles está “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, considerada uma das principais obras da literatura brasileira e frequentemente presente nas listas de leitura obrigatória dos processos seletivos.
Outra montagem é inspirada em “Clara dos Anjos”, de Lima Barreto, romance que aborda temas como desigualdade social, preconceito racial e exclusão, estimulando reflexões que seguem atuais na sociedade brasileira.
Educação
Para Eduardo Magagnin, a experiência teatral contribui para aproximar os estudantes dos livros. “Quando o jovem vê a história acontecendo diante dele, a literatura deixa de parecer distante e passa a ser algo vivo, capaz de despertar curiosidade e interesse pela leitura”, destaca.
Entre livros e reflexões
Além dos clássicos da literatura brasileira, o Literatura Viva também apresenta “Velhos”, espetáculo inspirado na obra do escritor contemporâneo Ale Motta. A montagem utiliza recursos da palhaçaria e do teatro de máscaras para abordar, de forma sensível e bem-humorada, questões relacionadas ao envelhecimento e às relações humanas.
Mais do que auxiliar na preparação para vestibulares, o projeto busca incentivar o hábito da leitura e ampliar o acesso dos estudantes às artes cênicas. A proposta é fazer com que a literatura seja percebida não apenas como conteúdo escolar, mas como uma ferramenta de reflexão e compreensão da realidade.
Segundo Eduardo Magagnin, o teatro não substitui a leitura, mas pode servir como porta de entrada para ela. “O palco humaniza a literatura e mostra que histórias escritas há décadas ou séculos continuam dialogando com os desafios, sentimentos e experiências vividas pelos jovens de hoje”, afirma.
Com centenas de apresentações realizadas em diferentes municípios catarinenses, o Literatura Viva consolidou-se como uma iniciativa voltada à valorização da literatura, da cultura e da formação de novos leitores.