Em um mundo conectado e em constante transformação, a necessidade de inovação contínua é um dos principais fatores de diferenciação das organizações e dos serviços públicos.
O cenário dos últimos anos, com as transformações e desafios que o Brasil e o mundo têm vivenciado, provocadas por crises econômicas, políticas e sociais, foi agravado drasticamente neste ano por conta da pandemia da covid-19, que ficará marcada na história de toda a humanidade, principalmente pelo impacto sistêmico e significativo nas organizações e indivíduos de todos os setores econômicos e classes sociais.
De acordo com o professor Fabrício da Silva Attanásio, head de Desenvolvimento e Inovação da Unisul, o isolamento e o distanciamento físico, bem como questões relacionadas à prevenção e saúde, provocaram uma verdadeira revolução, a transformação digital foi antecipada e intensificada, obrigando as pessoas e organizações e a sociedade como um todo a se reinventarem, demandando inovações e soluções ainda mais rápidas e efetivas.
“Os impactos futuros ainda são incertos, no entanto a certeza que temos é de que o mundo já mudou e será muito diferente do que era antes da pandemia. Neste contexto, quem ainda não conseguiu aprender com esta crise a se reinventar dificilmente conseguirá se manter saudável e bem, seja pessoa física ou jurídica”, avalia Fabrício.
O fato de algumas pessoas terem alavancado o negócio durante a pandemia e outras, por consequência, terem quebrado se dá porque os que alavancaram conseguiram identificar que precisavam mudar.
“Conheceram melhor a situação onde se encontravam, aprenderam com isso e tiveram a coragem de colocar em prática. Sim, coragem, pois, para mudar, seja individualmente ou coletivamente, precisamos ser humildes para aceitar que não sabemos de tudo e que precisamos aprender, na maioria das vezes, com quem a gente menos espera. Seja os jovens da geração digital, ou aquele senhor já aposentado, que possui uma experiência e sabedoria muito grande. Outras pessoas, mesmo morando no interior, estão mais antenadas às mudanças e inovações do mundo que, às vezes, aquela pessoa que mora em uma grande metrópole. Não importa o endereço, o que importa é o perfil, a inquietude do empreendedor e sua conexão com os problemas reais do seu dia a dia”, pontua.
Desenvolvendo o potencial criativo
De acordo com o professor Fabrício da Silva Attanásio, head de Desenvolvimento e Inovação da Unisul, existem várias formas para que as pessoas desenvolvam seu potencial criativo e inovador.
“A primeira é acreditar! Sim, começando por você mesmo, acredite na sua intuição, nas suas ideias, em seus sonhos, acredite que é possível você criar e inovar. Porém, para isso, é muito importante o autoconhecimento. Nesse sentido, se conhecer e buscar desenvolver uma mente aberta para novos conhecimentos e experiências é importante. Algumas atividades lúdicas podem ajudar a desenvolver a criatividade e a inovação, como ver filmes, praticar esportes, ioga, conhecer novas culturas, pessoas, tecnologias, enfim, tudo o que ajude a aprender e ampliar os horizontes e perspectivas”, explica.
Para os negócios, acrescenta Fabrício, ter autoconhecimento de sua situação atual, fazer constantes benchmarkings, estar conectado às tendências e inovações do mundo e procurar sempre estar em sintonia, adaptando sua realidade e avaliando o que faz sentido para as pessoas, é um grande trabalho de criatividade e inovação.
“Para tanto, a coragem de assumir a imperfeição, que é possível errar, é o grande diferencial de quem quer ser criativo e inovador, distintamente àquele que apenas copia o que os outros fazem. Ambientes favoráveis à inovação contribuem muito para este processo criativo, por esse motivo inauguramos recentemente em Tubarão o Ânima Lab Unisul, que atua como uma grande hub de conhecimento e soluções integrando a Universidade Unisul aos problemas da comunidade, fortalecendo assim iniciativas em prol da inovação e desenvolvimento das regiões onde estamos inseridos”, complementa.
Para Pâmela Bressan, que atua na Incubadora de empresas da Unisul campus Tubarão e no iLAB – Laboratório de Empreendedorismo da Pedra Branca, é necessário estar atento às dificuldades do dia a dia. “Seja um observador e questionador. Quando ouvir alguém dizer que algo é impossível, anote isso! Pode ser uma oportunidade de negócio para você resolver. Dica bônus: pesquise sobre empresas que inovaram em seu segmento e a forma com que formataram negócios diferentes. Oxigenar estas ideias em sua mente lhe fará enxergar oportunidades em situações que outros olham apenas de forma comum”, acrescenta.
Existem formas para alavancar o negócio em qualquer momento
Existem várias formas de alavancar os negócios em tempos de pandemia e em qualquer outro momento. A principal, explica o professor Fabrício da Silva Attanásio, head de Desenvolvimento e Inovação da Unisul, é reconhecer que o sucesso de hoje não garante a sobrevivência no futuro. Neste contexto, com os conhecimentos e a rede de parceiros construída durante seus mais de 56 anos, a Unisul Universidade pode contribuir em conjunto com os principais atores da quádrupla hélice (universidade-
empresas-governo-sociedade) na alavancagem dos negócios e do desenvolvimento regional.
“Algumas empresas e startups reconheceram isso e adotaram a prática do que chamo de foco um e foco dois, em que o ‘um’ são os resultados do modelo de negócios atual, e o foco ‘dois’, as inovações que no futuro farão sentido para estes negócios e seus principais clientes e stakeholders. Outro ponto-chave é ter um propósito claro, que conquiste as pessoas de sua equipe e engaje os clientes em torno dele”, pontua.
Segundo Fabrício, um grande erro que acontece em negócios, seduzidos pela indústria 4.0 e inovações disruptivas, é investir em tecnologias e equipamentos de ponta e esquecer as pessoas. “Então, comece por você, invista em desenvolvimento de novas competências, de liderança e de sua equipe. Só as pessoas podem ter coragem e atitude para empreender, criar e inovar na crise ocasionada pela pandemia atual ou qualquer outra”, ressalta.
Pâmela Bressan complementa: “Como alavancar um negócio é a pergunta de um milhão de dólares. Tudo vai depender do seu mercado, do seu nível de maturidade, das suas metas e as barreiras atuais para alcançá-las, entre outros fatores internos e externos a todo empreendedor. Porém, um ponto bastante comum quando a pessoa está se perguntando isso é: o empreendedor já chegou no limite prático do seu conhecimento?”, indaga.
“Significa que, geralmente, para escalar o próximo nível, ele necessariamente vai precisar de ajuda. Porque ele já executou tudo que sabia e esbarrou em um limite. E agora?”.
Segundo ela, na era em que a informação é um ativo barato, cabe a cada um buscar muito e então filtrar o que faz sentido para seu momento. “Mas lhe garanto que existem diversas alternativas. Você já buscou um bom curso de qualificação específico e focado em suas necessidades? Buscou a mentoria de alguém que já passou pelo degrau que você está tentando alcançar? Já foi atrás de programas de incubação, aceleração ou apoio? Smart Money? Não sabe o que é? Google! Volte ao início e pesquise mais um pouco. Valerá a pena quando encontrar o apoio certo para vencer esta etapa.
E quando tiver avançado, não esqueça de fazer sua parte e estender a mão a quem está buscando este mesmo conhecimento”, ressalta Pâmela.