No próximo dia 7, Tubarão terá o que seria sua primeira eleição indireta para prefeito e vice, na Câmara de Vereadores. Seria a primeira, mas não é. Este fato já ocorreu na Cidade Azul há algumas décadas, conforme uma pesquisa realizada pelo escritor Ramires Sartor Linhares.
Assim como a renúncia do agora ex-prefeito Joares Ponticelli não foi um fato inédito na cidade, tendo já ocorrido na década de 50.
Segundo a pesquisa, os prefeitos nomeados passavam a dar lugar aos eleitos, a partir de 1947. Em 1955, Waldemar Salles foi eleito prefeito. Mas foi uma gestão curta, pois ele foi eleito deputado estadual em 1958 e renunciou ao cargo. Foi, então, a primeira renúncia em Tubarão.
A legislatura da Câmara de Tubarão 1955/1958 começou tranquila, mas, no último mês de mandato dos 13 vereadores, mudanças mais profundas ocorreram. A sessão que alterou definitivamente a política local ocorreu após as festas de Natal, no apagar das luzes do ano de 1958.
A composição da Câmara na sessão de 29 de dezembro tinha seis vereadores do PSD, cinco da UDN, um do PTB e um do PSP. O vereador Dilney Chaves Cabral leu um pedido de renúncia do prefeito Waldemar Salles, em face da eleição para deputado estadual, ocorrida dois meses antes. A Casa aceitou a renúncia e o líder do PSD, invocando alguns preceitos legais, solicitou ao presidente que fosse feita a imediata eleição de um novo prefeito.
Os cinco vereadores da UDN e o do PSP deixaram o plenário. Os seis vereadores do PSD e o do PTB, sob a presidência de Idalino Fretta, formaram quórum para a eleição, que apresentou o seguinte resultado: Durval Bez recebeu seis votos e o vereador Osório Mendes, um voto. O presidente proclamou Durval Bez prefeito de Tubarão.
“A pesquisa tem por base o que já escrevi em meus livros, nas atas da Câmara e jornais da época, no Arquivo Histórico. É claro que deve haver muitas questões que escaparam às atas, aos jornais e também à minha pesquisa. Situações que só os protagonistas daqueles momentos sabiam. A intenção é dar luz a fatos do nosso passado, a fim de que possamos, conhecendo-os, discuti-los, compreendê-los. Afinal, a história é feita de ciclos, e, quem sabe, aquilo que as atas e os jornais de 1958 não contaram pode estar acontecendo novamente”, conclui Ramires.