Sábado, 04 de julho de 2026
Fechar [x]

Entrevista: “Nenhuma região foi/será esquecida”

Carlos Moisés avalia nove meses de governo, aponta os principais desafios da gestão e as prioridades

21/09/2019 06:00

Natural de Florianópolis, Carlos Moisés da Silva nasceu em 17 de agosto de 1967. Entrou no serviço público pela formação da Polícia Militar em 1987. Concluiu o Curso de Formação de Oficiais da Academia de Polícia Militar de SC em 1990. Na época, a PM e o Corpo de Bombeiros faziam parte da mesma corporação, e Moisés decidiu ser bombeiro. Foi para Tubarão, no Sul do Estado, e casou com Késia, tendo duas filhas: Sarah e Raissa.


Além de ser coronel da reserva, dedicou-se à vida acadêmica. É bacharel em Direito e mestre em Direito Constitucional pela Unisul, onde foi professor de direito administrativo e constitucional. Moisés nunca tinha ocupado cargos eletivos antes de ser governador, disputando as eleições pelo PSL.



Diário do Sul – Como o senhor avalia os primeiros meses de governo?

-Carlos Moisés – Eliminamos estruturas e cargos desnecessários, promovemos a reforma administrativa e, com ela, vamos economizar cerca de R$ 450 milhões até o fim do mandato. Contratos com fornecedores foram revisados, aprimoramos nossas compras com pregão eletrônico, e economizamos mais alguns milhões, como ocorreu na saúde. Eliminamos quase 800 mil processos físicos ao transferirmos as rotinas de governo para o ambiente digital. Com o governo eletrônico, projetamos uma economia de R$ 29 milhões ao ano com papel e selos. Também ampliamos os serviços digitais, para melhor atender ao cidadão. Desenvolvemos dois projetos voltados à conclusão de obras, manutenção e recuperação de nossas rodovias: o Recuperar e o Novos Rumos. Colocamos o helicóptero que fica à disposição do governador para atuar na captação e transporte de órgãos, e nos tornamos recordistas nacionais em transplantes. Garantimos milhões em repasse aos hospitais filantrópicos, reduzimos os índices de violência e criminalidade, mês a mês, desde que assumimos o governo.  Foram seis meses de muito trabalho, aprendizado e avanços importantes.


Diário do Sul – Novo na política, qual foi a maior dificuldade encontrada ao administrar o Estado?

-Carlos Moisés – Os eleitores nos escolheram como a renovação na política catarinense, e isso exigiu muito preparo e planejamento da equipe, principalmente diante da delicada situação financeira que estamos enfrentando desde o primeiro dia de gestão. Portanto, organizar as finanças e resgatar a capacidade de investimentos do governo foram e ainda são nossos principais desafios. Com as ações desenvolvidas até agora, já conseguimos avançar muito em relação à redução das despesas e ao combate ao desperdício de dinheiro público. Estamos aprimorando a gestão e articulando parcerias para fortalecer nossa cadeia produtiva e melhorar a qualidade dos serviços. Com responsabilidade e, sobretudo, transparência, vamos reverter esse quadro e dar início a um novo ciclo de desenvolvimento em Santa Catarina.


Diário do Sul – Qual a realidade econômica do governo do Estado?

-Carlos Moisés – A situação do governo estadual é complexa, com um déficit financeiro projetado de R$ 2,5 bilhões, e um déficit previdenciário de R$ 3,8 bilhões. Já conseguimos reduzir um pouco esse quadro, como é o caso da própria folha de pagamento. Nesse primeiro semestre, conseguimos reduzir a despesa com pessoal para 47,71% da receita corrente líquida, sendo que o teto de gastos é 49%. No ano passado, a despesa ficou nesse limite, e, em 2017, o governo chegou a ultrapassar o teto de gastos permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Entretanto, isso não livra o Poder Executivo das dívidas que já nos aguardavam. São valores vultosos que tiram nosso poder de investimentos em áreas essenciais. Não podemos contrair novos financiamentos por conta dessa condição que assumimos desde o início. Por isso, nossas ações focam na economia e em parcerias que nos permitam empregar melhor os recursos disponíveis, resguardando ao máximo os já exauridos cofres públicos. Não pretendemos deixar a mesma herança que recebemos.


Diário do Sul – O que é necessário ser feito para voltarmos a crescer economicamente?

-Carlos Moisés – Santa Catarina tem uma economia forte e uma cadeia produtiva que consegue se superar mesmo diante das piores crises. Cabe ao governo estadual o papel de fomentar, facilitar e dar suporte aos mais diversos segmentos produtivos. Estimular o crescimento econômico é fundamental para que o governo também volte a crescer. Trabalhamos em diversas frentes nesse sentido, defendendo uma política fiscal mais justa e igualitária e organizando a concessão de incentivos. Isso também envolve a execução de obras estruturantes, o suporte de pesquisa e extensão aos nossos produtores, o estímulo ao empreendedorismo e a redução das despesas com a máquina pública.


Diário do Sul  – Como avalia hoje a relação do governo com a Alesc?

-Carlos Moisés – Trabalhamos pelos mesmos propósitos, buscando o melhor para SC. Temos nosso jeito de trabalhar, buscamos o diálogo com parlamentares, portanto a relação é de respeito entre os poderes. Conseguimos aprovações, a exemplo da reforma administrativa e da lei dos incentivos fiscais, e fomos derrotados no projeto de redução do duodécimo. Seguimos construindo parcerias e focados no melhor para os catarinenses.


Diário do Sul – O PSL já está trabalhando pensando nas eleições do próximo ano. Como o senhor está participando deste momento do partido?

-Carlos Moisés – É comum definirem o resultado das eleições do ano passado como uma “onda”, que vem e passa. Não podemos esquecer que foram mudanças legítimas e tiveram origem na insatisfação e repulsa da sociedade em relação à classe política e suas práticas. Esse descontentamento não se vai como a tal onda de que falam. As pessoas não aguentam mais o velho modelo de políticos, muitos deles corruptos e alheios aos anseios populares. Isso vai pesar novamente nas eleições do ano que vem.


Diário do Sul – Como o senhor observa e almeja o seu futuro político? Pretende buscar a reeleição?

-Carlos Moisés – É difícil pensar em reeleição diante de tantos desafios e compromissos a serem cumpridos. Temos que fazer jus à confiança que nos foi depositada pelos catarinenses, por isso vou trabalhar com foco na entrega das demandas prioritárias. Se no fim deste mandato alcançarmos um desempenho relevante em relação aos objetivos traçados, aí sim poderei dizer que a reeleição será uma opção.


Diário do Sul – O senhor tem relação bem próxima com Tubarão e a região. Qual a marca que pretende deixar para a Amurel durante o seu governo?

-Carlos Moisés – Realmente, tenho uma relação muito especial com Tubarão e região, e os motivos vocês já conhecem. A marca que pretendo deixar para a Amurel é a mesma que pretendemos deixar para as demais regiões, que é a do respeito e da responsabilidade com a coisa pública, da total transparência nas ações, da promoção do desenvolvimento e da oferta de serviços eficientes para todas as regiões. Gosto de ouvir as pessoas, mantenho interação permanente em minhas redes sociais, por isso sei o quanto os catarinenses precisam da atenção e da ação efetiva do governo. Lutamos por isso e vamos fazer todo o possível para atendê-los.


Diário do Sul – Um dos problemas recorrentes do governo do Estado é o atraso em obras. Na região, são exemplo a rodovia Ivane Fretta e o Centro de Inovação. No seu governo, haverá uma mudança no planejamento de obras?

-Carlos Moisés – Quando ando pelas regiões catarinenses, vejo uma série de obras não concluídas, e muitas outras nunca atendidas pelo Poder Público. Recebo diariamente o apelo das pessoas, que clamam por atenção às estradas precárias e perigosas para aqueles que trafegam. Ao mesmo tempo, as novas demandas não param de chegar. Diante dessa situação, a primeira coisa a se eliminar são as falsas promessas. Tem que ter seriedade e respeito aos cidadãos. Não vamos anunciar novidades sem concluirmos obras importantes que estão paradas. O projeto Novos Rumos foi criado exatamente para retomar grandes obras esquecidas, que são fundamentais para as regiões onde se localizam.  Sobre o Centro de Inovação de Tubarão, a obra está com um bom andamento – cerca de 85% executada. A parte externa está preparada para receber a pavimentação, e a grande área de estacionamento está pronta com brita. Na parte interna, a infraestrutura já está praticamente concluída, e é iniciada a instalação de ar-condicionado. A conclusão está prevista para dezembro desse ano.

A obra da rodovia Ivane Fretta Moreira recebeu um aditivo de prazo, e a nova data para a entrega é 30 de outubro desse ano. Com investimento de R$ 77.178.349,66, a obra está 92% executada. O processo licitatório da intersecção que fará ligação com o bairro São Martinho já foi assinado. A obra fica pronta em 180 dias.


Diário do Sul – Desde que o senhor assumiu, duas cidades – Jaguaruna e Laguna – tiveram investimentos do governo na região. Há mais alguma novidade?

-Carlos Moisés – Posso garantir que nenhuma região foi ou será esquecida. Estamos trabalhando com foco em todas as regiões de Santa Catarina. De fato, nesse primeiro semestre iniciamos o processo de “arrumar a casa”, e já avançamos muito, embora tenhamos muitos desafios pela frente. Estamos no caminho certo, resgatando o equilíbrio das contas públicas e recuperando a capacidade de investimento do governo. Por enquanto, buscamos economizar e priorizar os investimentos em áreas essenciais. Em breve, teremos mais notícias.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Quer receber notícias de Tubarão e região? Clique aqui.
Diário do Sul
Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR