Um risco de colapso em um dos pilares da Ponte Anita Garibaldi já havia sido visto
Os problemas estruturais que levaram ao fechamento total da Ponte Anita Garibaldi, na BR-101, em Laguna, podem ter origem em uma situação identificada há quase quatro anos. Documentos obtidos pelo gabinete do deputado estadual Mário Motta junto à concessionária Via Costeira e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) indicam que, ainda em outubro de 2022, inspeções apontaram falhas estruturais em um dos pilares da ponte e chegaram a mencionar risco de colapso.
Na época, a concessionária restringiu o tráfego de veículos pesados, desviando-os para a Ponte de Cabeçuda, e realizou obras emergenciais de reforço estrutural. As inspeções identificaram fissuras e rompimento de cabos em componentes estruturais da ponte. Após a conclusão dos serviços, o trânsito foi liberado.
Segundo os documentos, além das intervenções realizadas, foram programados novos estudos e uma análise estrutural completa da ponte. Para isso, a concessionária solicitou ao Dnit documentos da fase de construção da obra, como registros técnicos e informações sobre a montagem da estrutura.
Novo problema
Quase quatro anos depois, uma nova inspeção identificou outra abertura entre segmentos da ponte, desta vez em um ponto diferente da estrutura. Dias depois, um relatório técnico confirmou o rompimento de cabos de protensão justamente na mesma região que havia recebido reforços em 2022.
Conforme os documentos, a análise apontou que a capacidade da estrutura já não atendia integralmente às margens de segurança previstas para o tráfego.
Diante do novo cenário, a concessionária decidiu interditar totalmente a ponte na noite de 9 de julho para execução de obras emergenciais, com previsão inicial de dez dias para liberação parcial do tráfego.
Deputado questiona medidas tomadas agora
A divulgação dos documentos também motivou uma série de questionamentos por parte do deputado estadual Mário Motta.
Entre os principais pontos levantados estão o intervalo de quase quatro anos entre a identificação do primeiro problema estrutural e a interdição total da ponte, além da dificuldade relatada pela própria concessionária para localizar parte da documentação técnica da construção.
Segundo registros encaminhados à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a empresa responsável pela administração da rodovia informou que ainda busca documentos da fase construtiva da ponte, como registros de fechamento do tabuleiro e informações sobre a instalação dos cabos estaiados. A agência informou que buscaria apoio do Dnit para localizar esse acervo técnico.
“O ponto mais grave é que o catarinense só ficou sabendo da situação quando a ponte já estava fechada. Alguém precisa explicar: o que foi feito desde 2022? Não podemos admitir que uma obra de quase R$ 800 milhões já tenha apresentado problemas tão cedo. Eu e meu gabinete estamos investigando tudo isso e buscando elementos que justifiquem levarmos o caso aos órgãos federais de controle”, afirma o deputado.