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Crônica: solo fértil

10/04/2023 06:00

Marina de Albuquerque

Jornalista


Eu acredito na juventude. Nessa força energética que eles têm de conquistar o mundo. Não os vejo como desordeiros, o jovem é uma criança num corpo formado, capaz de criar coisas maravilhosas.


São fortes e têm o brilho de uma estrela cadente. Acredito que, sim, falte um pouco de incentivo para que sejam melhores, ou descarreguem essa energia de forma mais criativa e promissora. Sinceramente não sei de onde poderia vir esse incentivo, talvez de todo o mundo. Assim como somos com as crianças, nós a vemos e falamos em uníssono: “é isso aí!”, “que lindo você dançando!”, “que legal aprendeu uma língua nova”, “que demais o foguete que você fez de lego”.


Mas, então, a criança se torna adolescente, em seguida jovem, e automaticamente os abandonamos. São crianças abandonadas andando por aí sem preparo, a maioria reclamando do quanto os adultos são cruéis, o quanto lhes criticam e os deixam esquecidos, como marginais. E por que isso acontece? Também não tenho a resposta, mas desconfio que sentimos que eles já deveriam estar fazendo algo importante mesmo sem nosso incentivo, mesmo que não tenham idade e nem possibilidades de ganharem o próprio sustento, pelo menos não de forma legal, isso identificando o sistema nacional.


São pessoas desacreditadas na sociedade e se tornam geralmente adultos desmotivados, que seguem um fluxo imposto ou simplesmente passado de tradição a tradição, sem questionar o porquê daquilo, porque a sociedade impõe que precisam do dinheiro pra se manterem vivos.


Desconfio que o próprio modelo de sociedade em que vivemos aniquila qualquer possibilidade de crescimento dos jovens, afinal, lhes tiramos as responsabilidades, os criamos como crianças, então lhes tiramos toda ilusão de que tudo é possível, esta ilusão que damos às crianças.


Ser jovem é fantástico, pergunte por aí, e a maioria irá falar do quão teve uma juventude memorável, com aventuras, festas e sonhos que foram se apagando, aos poucos, conforme cresceram. Isso se já não cresceram e foram criados como marginais, outra questão preocupante a ser destinado a outro texto.


Então, questiono-me e questiono você, leitor, o que está errado neste sistema? Onde a massa de faixa etária mais produtiva, criativa e enérgica da sociedade fica fora da produção e das decisões, à mercê de uma “espera” do futuro para se fazer participante.

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