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Crônica: liberdade literária

18/07/2023 06:00

Marina de Albuquerque

Jornalista


Uma coisa interessante na literatura é a possibilidade de inventar coisas. Gosto de colocar nos meus textos literários datas futuras, principalmente para poder escrever sobre lugares e colocar pontos inverossímeis. No jornalismo, por exemplo, o ideal é escrever a verdade, todos os pontos devem fazer sentido.


No jornalismo, os fatos são apurados pelo repórter, através de entrevistas, e este volta ao seu computador (dando exemplo do jornalismo impresso, do qual tenho experiência), para escrever o que apurou, para, então, publicar no veículo jornalístico, a mídia em que trabalha.


No entanto, a verdade absoluta é muito difícil de ser capturada, sou jornalista por formação, e na faculdade aprendemos que devemos ouvir todos os lados e escrever uma história em que todos os lados ganhem voz, mas isso também é impossível. Então, acabei concluindo que a profissão se torna um tanto frustrante.


A literatura é muito mais livre e te proporciona inventar fatos, o que acaba sendo muito mais honesto, já que o leitor está ciente desta possibilidade.


Por ter a mistura da escrita jornalística, publicitária e literária, acabo me sentindo muito mais honesta escrevendo sobre um futuro distante. Posso colocar uma escada rolante no meio da rua em Tubarão e ninguém vai se importar, e nem me questionar se existe mesmo, posso transformar prédios em ambientes ecologicamente corretos, assim como fazem em Nova Iorque, com plantação de árvores nos últimos andares, posso dizer que a Nasa fez um parque com visitação e observação diária da lua. Então, a imaginação vai longe e não preciso me preocupar se o que escrevi é real, naquele tempo em questão.


Porém, justamente por isso, vejo que os escritores têm um papel importante na sociedade, pois através da escrita podem influenciar também, assim como faz a mídia, com notícias diárias. É um objetivo tomar cuidado com as palavras e assuntos que abordo, uma preocupação constante escrever detalhes que auxiliam na compreensão do meio, do outro, e que aguce a curiosidade dos leitores para assuntos interessantes e edificantes. Que tragam alegria, esperança e incentivem o estudo e evolução como seres humanos.

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