A atriz Olivia de Havilland, que morreu aos 104 anos de idade no último domingo, em Paris, ficou imortalizada por sua participação em “...E o Vento Levou” (1939). Seu nome é conhecido no mundo inteiro pelos amantes da sétima arte, e ela também é lembrada em Tubarão, que pôde acompanhar apaixonadamente o filme, o qual estreou no Cine Vitória dez anos depois, em 1949.
O tubaronense Luiz Gonzaga Zim, de 89 anos, lembra exatamente de quando o filme entrou em cartaz no Cine Vitória, localizado na rua São Manoel, hoje Calçadão (o prédio ainda existe no local). “Foi um grande sucesso, com todas as sessões lotadas sempre. Ficou vários dias em cartaz e sempre lotado”, conta. “Como o filme era muito longo, com quatro horas de duração, tinha até intervalo. Mesmo assim, muitas pessoas assistiram até mais de uma vez”, completa.
Luiz lembra também o quão polêmico o filme foi para a época. “Apesar de ser um romance, tratava de conflitos econômicos e também havia cenas fortes de tortura de escravos”, pontua. “Mas foi realmente um sucesso. O cinema tinha uma sessão diária, e todas lotadas. No domingo, havia três sessões, também com sala cheia”, comenta.
Sobre a atriz, Luiz diz que, apesar de ela não ser a estrela principal do filme, certamente teve um papel de destaque. “Ela não fazia o estilo de beleza que chamava a atenção, mas sua delicadeza era um dos pontos fortes e sua atuação também foi muito destacada”, avalia.
Cine Vitória
Durante décadas, o Cine Vitória foi o ponto alto de Tubarão, atravessando gerações. Luiz Gonzaga Zim conta que foram os irmãos Clodoaldo, Nelson e Fridolino Althoff os responsáveis pela construção do prédio e os proprietários do cinema. “Foram verdadeiros visionários, que fizeram a diferença na história da cidade. Merecem ser homenageados”, ressalta. O Cine São José era o ponto alto dos jovens da época. Além disso, a elegância era também item indispensável entre moças e rapazes – terno e gravata para eles e vestidos muito bonitos para elas era o “dresscode” da ocasião. “Às terças-feiras, tinha a sessão das moças, quando a entrada para as mulheres era gratuita. Aos domingos, havia três sessões, das 14h, 18h e 20h. Quantas vezes assisti às três seguidas no mesmo dia. Realmente, foram tempos áureos vividos em Tubarão. Olhar o prédio que ainda existe no Calçadão, com a sala de cinema fechada, dá saudades”, lembra, nostálgico.
Olivia de Havilland foi ícone da era de ouro
Olivia de Havilland ficou conhecida em “...E o Vento Levou”, mas sua estreia nos cinemas foi em uma adaptação de 1935 do clássico de Shakespeare “Sonho de Uma Noite de Verão”. Era conhecida por fazer papéis de mulheres doces e amáveis. Ícone da era de ouro do cinema, ela tem dois Óscares de melhor atriz.
Segundo a revista especializada em cinema “The Hollywood Reporter”, a atriz morreu de causas naturais em sua casa. Filha de pais ingleses, ela nasceu no Japão. Naturalizada norte-americana, cresceu na Califórnia e vivia em Paris desde 1953.
Teve uma relação conturbada com sua irmã, a também atriz Joan Fontaine. Em 1942, as duas foram indicadas ao Oscar: Olivia de Havilland, por “A Porta de Ouro”, e Joan Fontaine, por “Suspeita”, de Alfred Hitchcock, que acabou levando a estatueta.
Micheline Zim