Mauri Luiz Heerdt
Reitor da Unisul
A cidade de Tubarão inspirou-se em Nossa Senhora da Piedade, considerada a Mãe das Dores, para construir o seu espírito e vivência comunitária. Neste sentido, quando se fala em piedade não se revive apenas a imagem inigualável da Pietá, escultura de Michelangelo na qual Jesus Cristo está amparado nos braços de Nossa Senhora. Em Tubarão, quando nos referimos à piedade, encontramos, ao lado da devoção à Nossa Senhora, um sentimento forte que, como nas demais cidades do Brasil, é estimulado pelos problemas sociais, como injustiça, doenças, desemprego, vícios e tantas outras dificuldades que abalam milhões de brasileiros. É interessante observarmos que não somente Tubarão, mas dezenas de cidades festejam, neste domingo, o Dia de Nossa Senhora da Piedade. E o que pode significar isso?
As cidades brasileiras – e não são diferentes as da Europa, Ásia e Américas – nasceram de ocupações desordenadas, que culminaram na construção de comunidades despidas de estruturas essenciais ao desenvolvimento social com qualidade. Não houve política pública voltada para a estruturação de modelos de qualidade de vida. E, sob este aspecto, a religião constituiu-se numa reserva de esperanças das comunidades que, assim aliadas à espiritualidade, não perderam a força e a tenacidade para vencer os desafios dos novos tempos.
Nossa Senhora da Piedade foi o foco da coragem com que as comunidades, nascidas da inquietação de imigrantes, passaram a superar as dificuldades inerentes ao desbravamento de uma região até então inóspita. Tubarão, hoje, tem forte identidade com Nossa Senhora da Piedade, sincronizada com o espírito comunitário que a torna uma cidade agradável e, sobretudo, aconchegante. Nos anos 70, Tubarão atraía moradores da Grande Florianópolis, de todo o Sul e até do Vale do Itajaí, principalmente aos fins de semana, para eventos, e sentiam o entusiasmo de uma cidade efervescente e acolhedora. Gesto este de acolhimento que continua vivo e muito presente, basta ver as pessoas e as lideranças que a cidade abriga até hoje, como, por exemplo, o prefeito, o vice, eu mesmo, vindo de uma cidade vizinha, e tantos outros personagens da vida cotidiana.
Podemos dizer que é mais fácil para uma cidade se reconstruir com a inspiração da piedade. Tubarão, banhada por um rio tão aprazível quanto devastador, tornou-se exemplo dessa resiliência oriunda da piedade, da misericórdia que aproxima as pessoas umas das outras e as estimula para a superação. Não foi por acaso que Tubarão se reergueu na busca de uma estrutura de qualidade. O esforço da gestão pública nos últimos anos nos mostra, igualmente, que a qualidade imprescindível à nossa cidade depende essencialmente desse trabalho conjunto. Mostra também a importância de nós, tubaronenses de nascimento ou por adoção, discutirmos o futuro, apostando nessa sinergia comunitária. Cabe-nos, em parceria com o Poder Público, pensar em soluções para o bem coletivo, para uma vida mais saudável, com parques, ciclovias ou boas calçadas para caminhadas, por exemplo. E, sob a inspiração de Nossa Senhora da Piedade, continuarmos a fazer de Tubarão uma cidade onde as prerrogativas do amor ao próximo, da compaixão estejam presentes.
Cabe-nos trabalhar, sempre, para um futuro melhor.