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Artigo: Sou a mudança que eu quero?

17/11/2022 06:00

Felipe Felisbino

Professor


O título é uma afirmação que nos remete ao nosso eu. Quem é este eu, ou quais dos eus são relevantes?


O eu substancial é o que caracteriza o ser na sua essência, que define o caráter, ou seja, é o cerne do ser - comparando com o núcleo duro da madeira.


Os vários “eus”, que são os acidentais, os circunstanciais, são cascas que vamos assumindo ao longo da vida, sendo que alguns não passam de aparências, pois não representam a realidade do eu substancial, contudo outros são internalizados, moldando o ser.

Mesmo havendo uma formatação do eu, por influência do eu acidental, que lhe concede uma temporária forma de expressão, não se perde a essência, pois em algum momento a autenticidade do eu verdadeiro aflora.


A partir dessas composições, que são constantes, surge o eu do si mesmo (o self), que revela o autoconhecimento, com consciência e reflexão, expresso pelos relacionamentos e pelo modo de agir, revelando o homem por inteiro, que resulta no eu moral, formando um conceito de consciência, que consegue distinguir o bem do mal, por exemplo.


Às vezes, o discurso, de um dos eus, não corresponde ao eu verdadeiro – tanto no que se refere ao mal, quanto ao bem.


O que defendemos tem que estar no eixo da nossa verdade, tem que estar em correspondência com um propósito na prática, ou seja, o eu acidental – excepcional - não anula o eu substancial, mas pode ter relação, principalmente, para o amadurecimento do ser, que pode passar do ponto, corroendo-se como o cerne da madeira que, com o tempo, se desfaz.


O eu acidental não existe por si, depende da influência e do contexto externo para se manifestar, o que, por vezes, pode expor o nosso ser essencial, distorcendo a imagem refletida.


São várias as roupagens que assumimos, algumas não representam a práxis no cotidiano, não correspondendo ao eu substancial, ou seja, uma casca não incorporada ao ser.


Portanto, mude, evolua, mas não perca a sua essência, pois a sua essência é o seu diferencial. Siga sendo você mesmo, você não precisa fingir nada para ninguém.


Olhe para trás e veja o quanto você cresceu. Permita-se ficar feliz e grato com suas conquistas e onde você já chegou. Compreenda que a felicidade não está na chegada, mas sim na caminhada. E que o seu caminhar seja motivo de orgulho e fonte de inspiração.

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