Felipe Felisbino - Professor
Dia destes encontrei uma senhora que me abordou para comentar que lia meus artigos no DS, e, também, para me sugerir um tema: “escreva sobre o preconceito entre as crianças na escola”.
E fiquei me perguntando: de onde vem esse preconceito, já que as crianças não nascem preconceituosas?
Concluí: o maior mestre-professor são os exemplos – principalmente os dos pais, que seguimos sem, muitas vezes, nos darmos conta de que replicamos a “normalidade” familiar.
Nesta linha, faz sentido o dito popular: “a fruta nunca cai longe do pé”- podendo significar que a pessoa é, no coração e na alma, um espelho da sua realidade.
As crianças se inspiram nos adultos para formar tanto a personalidade e traços psicológicos, como a maneira de agir refletindo o ambiente em que estão inseridas, onde alguns creem que o mundo é dividido por raças, cores, melhores e piores, infelizmente.
Sem dúvida, a culpa recai na cabeça dos pais, ou da família - não da criança. Quando o núcleo familiar priva seu filho das verdades do mundo, por razões presunçosas de julgamentos baseados em indícios de aparências; poder financeiro; de grifes... que pretendem, única e exclusivamente, diminuir o outro ser, considerando o ter, instado pela vaidade de parecer com outros – comete algo terrível.
Quando digo em se parecer com outros, estou sugerindo que muitos desses espelhos – exemplos, pais de filhos preconceituosos, esqueceram de onde vieram, renegam suas origens, pois muitos deles fazem parte da estatística da migração social, das pessoas que melhoraram a sua realidade de vida, deixando para trás uma infância sofrida, de batalhas, de lutas, de limitações, de privações... enfim.
E nesse contexto, nos deparamos com duas realidades: as famílias, que mudaram a realidade da vida, mas perdem a grande oportunidade de contar a sua verdadeira história com orgulho da sua ancestralidade, mostrando o bom exemplo que deu certo, vencendo aquela realidade, que é ainda a de muitos brasileiros; as famílias abastadas desde sempre perdem a oportunidade de dar o exemplo da humildade, de humanidade, de colocar-se no lugar do outro antes de qualquer pré-conceito preconceituoso.
Quando uma pessoa escolhe algo, aquilo passa a ser dela, e naturalmente devota uma lealdade fora do normal, repassando aos seus, contaminando os outros com os seus preconceitos.
Enfim, é momento de as pessoas se reconciliarem aceitando o inevitável, que elas não podem mudar, fazer as pazes com sua realidade. Uma vez de posse desta tranquilidade, viverão o sentimento de viver a vida em plenitude.