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Artigo: Formados e diplomados

Felipe Felisbino - Professor

09/01/2024 06:00|Atualizada em 10/01/2024 15:25|Por Redação

Recebi uma matéria do jornal O Valor, de São Paulo – de Adriana Fonseca. A matéria mostrava uma análise dos cursos de graduação do Brasil, como Pedagogia, Direito e Administração, onde menos de 9 mil dos quase 67 mil formados ingressaram em cargos com nível superior, ocupando as vagas destinadas ao ensino médio.

Este pode ser o resultado da inversão da pirâmide educacional. Há pouco tempo, o MEC divulgou dados que apontavam que cerca de 70% dos alunos que completam o ensino médio no Brasil têm nível insuficiente de Português e Matemática, dentre esses, 23% estão no nível zero, o mais básico. Do restante, em média, 25,6% têm nível considerado “básico” e estagnante. Somente 3% possuem nível considerado “adequado” nas duas matérias. 

 

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Nos últimos anos o foco foi para a formação superior, deixando em último plano a educação básica. De acordo com a OCDE, o Brasil se encontra nas últimas posições em investimento por estudante da educação básica. Investimos, em média, US$ 3.800 por aluno dos últimos anos do ensino fundamental e médio, enquanto a média analisada foi de US$ 10.500, 176% a mais.

Em contraste, temos um investimento por universitário próximo a países europeus: nossa média é de US$ 11.700 por aluno do ensino superior, semelhante a Portugal e à Espanha, superando a Itália. A média mundial analisada foi de US$ 16.100 por universitário.

Esses dados confirmam a inversão. Nós damos prioridade ao ensino superior, enquanto o ensino básico, justo o essencial, é deixado às migalhas.

As consequências disso? Os estudantes passam por um ensino básico que não os prepara devidamente. Ingressam, então, em cursos que não exigem muito mais do que lhes foi ensinado e, quando exigem, não aguentam a carga, ou quando conseguem vencer a carga, têm uma formação rasa, quase nivelada às condições de um concluinte do ensino médio bem estruturado e bem cursado.

O dilema educacional - parece uma realidade um tanto utópica, quando uma porção considerável da população acredita que o problema da educação no Brasil se resume simploriamente à “ideologia de gênero” e/ou “doutrinação esquerdista” nas escolas e universidades públicas.

A inversão educacional no Brasil é um problema complexo que requer ações coordenadas e políticas públicas eficazes para buscar uma solução.

É importante que a sociedade e os governantes trabalhem juntos para garantir que a educação seja uma prioridade e que todos os brasileiros tenham acesso a uma educação de qualidade, o que garante que o egresso do ensino superior ocupe a sua posição direito, e o do ensino médio também.

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