Prof. Maurício da Silva | Mestre em Educação
Ou todo dinheiro do mundo não salvará a educação, o país, os estados e municípios.
O Brasil investe na educação (4,3% do PIB), mais do que a média dos países ricos da OCDE (3,6%), de acordo com o relatório Education at a Glance 2025, mas os estudantes brasileiros permanecem no fim da fila dos certames internacionais (Pisa, Pirls, Timss e teste de criatividade).
Entre 2007 e 2023, as matrículas diminuíram na educação básica pública (18,8 %), de 46,7 para 37,9 milhões de estudantes, e aumentou o Fundeb (776,6%), de R$ 5,35 bilhões para R$ 46,9 bilhões, mas pouco impactou a qualidade do ensino, como informa o Ministério da Educação.
“Computador na escola não melhora a nota”, noticiou o Jornal Folha de São Paulo (23/04/ 2007). “Uso de plataformas não melhorou resultados educacionais de São Paulo”, noticiou o mesmo jornal (3/7/ 2025).
Era para o Brasil matricular 50% das crianças de 0 a 3 anos nas creches até 2024 (Plano Nacional de Educação). Matriculou apenas 37,8%.
Apenas 94% dos estudantes concluem o ensino fundamental I, no 5º ano, e 86%, o ensino fundamental II, no 9º ano (Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025).
Ou seja, o Brasil investe na educação mais do que a média dos países ricos da OCDE, mas ensina pouco e para poucos. Isso compromete a produtividade e a economia do país.
Este descompasso se reproduz nos estados e municípios. Na rede municipal de ensino de Tubarão, o investimento chegou a 32% (a Lei exige 25%), mas a aprendizagem no Ensino Fundamental I despencou no Ideb 2017 e mais ainda no Ideb 2019. Havia 1.440 crianças na fila para creches e elevada evasão.
Aparentemente, o problema se circunscreve no gravíssimo fato de o Brasil investir três vezes menos na educação básica (cerca de US$ 3,8 mil por aluno ao ano) do que no ensino superior (US$ 15,6 mil por aluno ao ano), frequentado, sem custos, majoritariamente, pelos mais ricos, ainda de acordo com o Education at a Glance 2025. Isso compromete a base e, consequentemente, todo o percurso escolar.
No entanto, quando estados e municípios aumentaram os investimentos, em média, 32% e 66%, respectivamente (em que pese a grave situação econômica de 2007 a 2016), melhoraram a infraestrutura e os salários, não a aprendizagem, como informa o IDados.
Significa que aumentar os investimentos na educação básica é absolutamente necessário, mas insuficiente para melhorar o acesso, a permanência e a aprendizagem de todos os estudantes.
É urgente reescrever a escola. Foi o que se iniciou em Tubarão, no ano de 2019, com o projeto “Sucesso Na Escola, Na Vida e No Trabalho”.
Recuperou-se a aprendizagem no Ideb Real 2021 e 2023, zerou-se a fila de crianças para creches, diminui-se a evasão e habilitou-se o município para receber recursos do Vaar e do ICMS da Educação.