Vocês já ouviram falar em “fake readers”? Pois é, são as pessoas com tendência a acreditar em tudo que leem e, para surpresa de zero pessoas, o Brasil lidera esse ranking com 62% de fiéis à desinformação.
Quando se fala em fake news, não pensamos diretamente que as notícias falsas só conseguem prosperar se existirem pessoas que acreditam nelas e que as difundam com intensa voracidade.
Para alguns, essa parte da população é ainda mais danosa do que a própria notícia falsa, e há lógica em pensar assim.
Perigo II
O instituto de pesquisas Ipsos Mori estudou o assunto. Entrevistou mais de 19 mil pessoas em 27 países e concluiu, entre outras coisas, que os fake readers no Brasil impressionam pelo seu alto grau de credulidade. A ignorância de um povo mal-informado, ou mesmo a cultura religiosa que nos faz acreditar cegamente na palavra escrita, pode ser alguns dos motivos; contudo, não há como deixar de relevar que somos o país que mais utiliza as redes sociais no mundo.
O problema maior é um fenômeno ainda mais recente: a defesa cega de políticos de carreira. Independentemente do espectro ideológico, acreditar em políticos e defendê-los cegamente contribui para um cenário de impressionante alienação.
Perigo III
Vejam esse episódio que aconteceu comigo há alguns dias. Estava a ouvir uma rádio local quando o entrevistado, um grande empresário do agro, reclamava que o governo federal havia cedido terras para a China e que tal fato era uma afronta ao mercado agrícola nacional.
Chamou-me a atenção, pois não havia ouvido ou lido nada a respeito, e fui pesquisar. Em poucos segundos na internet, percebi que a fala do empresário foi uma reprodução da leitura de alguns sites ligados ao agronegócio; porém, logo abaixo, e estampada em um grande portal nacional, estava lá a notícia informando se tratar de uma “fake news”. Não existia qualquer pedido do governo chinês ao Incra – órgão responsável pelas terras rurais no país – para que uma das suas estatais comprasse terras brasileiras e cultivasse grãos em concorrência com o mercado nacional.
Perigo IV
O que aquele empresário falara era uma fake news e ele era um fake reader em potencial.
Sem pestanejar ou refletir, peguei meu telefone e mandei a notícia para a rádio, para que pudesse contribuir, afinal, a população precisa ser informada corretamente, e imagina-se que uma empresa de comunicação prime pela informação verdadeira, e não o contrário.
O problema foi quando o comunicador, ciente de quem eu sou, questionou: “Eu não entendo o Joma, porque ele não é PT e, então, qual seria o motivo de defender o governo federal?”
Fiquei perplexo. Não havia qualquer defesa ao governo federal, mas, tão somente, a intenção de passar uma informação correta para que ele fizesse a correção ao seu público ouvinte.
Ali, ainda surpreso com a reação do comunicador, percebi que um fake reader, na companhia de uma empresa de comunicação, pode fazer um estrago irreversível à população; e lutar contra isso, a cada dia que passa, fica muito mais difícil.
Novidade
Na rádio corredor da prefeitura municipal de Tubarão ouve-se que há possibilidade da criação de secretaria de Trânsito. Rogo que seja verdade e que o prefeito Soratto coloque essa intenção em prática, por ser um defensor da importância da matéria.
Algo que implica nas nossas vidas diretamente todos os dias não pode ficar relegado a uma gerência qualquer.
Injustificável
O processo que pede a cassação do mandato do senador catarinense Jorge Seif (PL) será retomado pelo Tribunal Superior Eleitoral na próxima segunda-feira, dia 5. O político é investigado por abuso de poder econômico desde uma denúncia que uniu PSD, União Brasil e Patriota após as eleições de 2022.
O fato é que, independente do resultado final, não pode um senador da República ficar refém de uma lentidão injustificável da Justiça Eleitoral. Como dizia Rui Barbosa: “A justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta”.
Morro dos cavalos
Não se controem hospitais, pontes ou escolas com brigas. Assim já ensinava o ex-governador Raimundo Colombo, à época em que governava o estado.
A presença do ministro dos Transportes, Renan Filho, em Santa Catarina, iniciou com uma estocada no governador Jorginho Mello.
Renan Filho afirmou que o governo federal tem realizado mais obras de infraestrutura que o governo estadual, o que levou o governador a retrucar, destacando que as grandes obras do PT no estado seriam bancadas por concessionárias e que, ao vincular com a arrecadação do pedágio, a conta do túnel do Morro dos Cavalos estaria no “nosso lombo”.
Até onde essa briga interminável ajuda o povo catarinense, eu não sei dizer. O fato é que prefiro acreditar no que dizia o ex governador. Passou a eleição, o que precisa estar em primeiro lugar não é o partido ou a ideologia, mas sim o povo de Santa Catarina.
Canto da Beleza
É beleza que vocês querem? Então, peguem essa foto.
Há imagens que dispensam legendas, porque capturam a própria alma da estação. Mais do que a perfeição dessas lindas mulheres, a celebração da amizade irradia a cumplicidade existente nessa turma que tem animado a praia de Laguna neste verão.
Apreciem!
Cão Orelha
A morte do cachorro chamado Orelha comoveu Santa Catarina, menos os pais dos adolescentes responsáveis, que parecem querer educar os seus filhos sem que assumam as responsabilidades dos seus atos.
A notícia de que alguns desses adolescentes viajaram para a Disneylândia é um reflexo de uma sociedade doente e exageradamente protetora.
O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a internação de menores infratores como medida socioeducativa excepcional, contudo, só é possível aplicá-la em casos de violência ou grave ameaça a pessoas. Animais, no caso, não estão tipificados.
Portanto, ciente de que são adolescentes abastados e estarão munidos de grandes advogados, a Justiça pouco poderá fazer. O castigo/educação deveria vir de casa e, pelo jeito, também não será de lá que esses meninos receberão o que verdadeiramente mereciam.