Aos 73 anos, o tubaronense José Arilton Gomes, que vive da reciclagem, mantém o hábito diário de ler jornal
Sentado em uma cadeira simples na calçada da Travessa Miguel Souza Reis, nas proximidades do Hotel OK, no Centro de Tubarão, o senhor José Arilton Gomes, de 73 anos, chama a atenção de quem passa não apenas pela condição de vulnerabilidade social em que vive, mas principalmente pelo hábito que preserva: a leitura diária do DS.
Sem residência fixa há alguns anos, Arilton sobrevive da coleta de materiais recicláveis, percorrendo diferentes pontos da cidade.
Ainda assim, faz questão de reservar um tempo para se informar. Geralmente, lê exemplares do dia anterior que encontra entre os materiais que recolhe. O gesto, simples à primeira vista, revela uma relação profunda com a educação e com o conhecimento.
A história foi observada pelo colunista Maciel Brognoli, do portal Sul Agora, que decidiu se aproximar para conversar. Durante o diálogo, o idoso demonstrou clareza de pensamento, boa articulação e respeito nas palavras. Ao falar sobre a importância da leitura, resumiu sua convicção: “Se eu leio, eu falo bem, escrevo bem, subo no palco da vida e faço uma ótima oratória”, disse.
Filho de professora, Arilton conta que o incentivo aos livros começou ainda na infância. Em conversa com Maciel, ele conta que a mãe lhe oferecia livros e estimulava o contato com a leitura desde cedo. O hábito consolidou-se ao longo dos anos e tornou-se parte de sua identidade. Mesmo após enfrentar perdas e dificuldades que o levaram à situação atual, ele afirma que há algo que ninguém pode lhe retirar: a educação.
Além do apreço pelos livros e jornais, Arilton é conhecido por moradores da região central por cuidar de cães em situação de abandono. Ele costuma alimentar e proteger os animais, que frequentemente o acompanham pelas ruas. Atualmente, Arilton também precisa de ajuda para substituir o carrinho que utiliza na coleta de recicláveis, já bastante desgastado pelo uso contínuo.
Reconhecimento
Sensibilizado com a história e com o valor atribuído à informação, o Diário do Sul decidiu presenteá-lo com uma assinatura do jornal. A iniciativa permitirá que Arilton tenha acesso diário às notícias, sem depender de exemplares descartados. Em meio às adversidades, ele segue demonstrando que o conhecimento pode ser um dos bens mais duradouros que alguém carrega ao longo da vida.