Bailarina retoma aulas durante tratamento e encontra força na arte
A dança sempre foi parte da vida de Helena. Desde os três anos de idade, quando pediu aos pais para iniciar no balé, a arte se tornou sua maior paixão — e, mais tarde, sua principal força para enfrentar o maior desafio da vida: um câncer no braço, diagnosticado em outubro de 2024.
“Eu sempre falo que a dança foi o primeiro amor da minha vida. Todo mundo que me conhece, conhece a versão bailarina da Helena”, diz.
Após um período afastada, Helena havia retomado as aulas em 2024 quando recebeu o diagnóstico. O impacto foi imediato. “Foi um baque. Não saber se eu ia poder voltar a dançar foi desesperador”, relembra.
Vieram meses de tratamento intenso, com quimioterapia, internações, radioterapia e cirurgia. Entre as marcas mais difíceis, a queda do cabelo e a perda parcial dos movimentos do punho e da mão. “Eu não me reconhecia, chorava muito. Foi doloroso demais.”
Mesmo em meio à fragilidade física, Helena nunca se afastou da dança. Em janeiro de 2025, ainda em tratamento, voltou às aulas, sempre com apoio da professora Ana Olímpio. “Minha resistência e disposição tinham mudado completamente, mas a sensação de liberdade depois de cada aula era o que me mantinha de pé.”
“Voltar a dançar e me apresentar é como se fosse um reencontro de almas, da minha alma com a da dança; é voltar a fazer o que está no meu coração e faz parte de mim desde pequena. É gratificante poder fazer isso em meio a um momento tão difícil e delicado; isso me mostra que tudo é possível”, revela. “E, claro, não posso deixar de agradecer imensamente à minha professora Ana Olímpio, que não deixou de acreditar em mim e sempre esteve ao meu lado, me motivando cada vez mais”, ressalta Helena.
Renascimento e planos
Hoje, Helena segue em tratamento quimioterápico, com término previsto para fevereiro de 2026. Depois disso, será apenas acompanhamento médico. “Minha saúde, graças a Deus, está boa, mesmo com o corpo passando por mudanças.”
Para ela, a luta contra o câncer é também um processo de renascimento. “O diagnóstico chega sem pedir licença, é invasivo e doloroso. Mas hoje consigo olhar no espelho e enxergar a Helena mais forte que conheço”.
Os planos incluem voltar a auxiliar nas aulas de balé, iniciar a graduação em Educação Física no segundo semestre e seguir transformando vidas por meio da dança. “A palavra câncer assusta, mas foi ela que me fez perceber a vida com outros olhos e sentir o privilégio de simplesmente estar viva”.
“Quando descobri o câncer, um dos maiores medos foi não conseguir dançar mais, não ter mais a arte que, desde pequena, sempre foi parte de mim.
Nesse tempo, eu pude ver que tudo é possível quando existe vontade, esperança e persistência.
Não foi nada fácil. Enquanto eu ensaiava, meu corpo estava fraco e pedia descanso, mas a paixão pela dança me fez forte para continuar”, revela Helena.
“Durante os ensaios, eu pensava que queria, de alguma forma, passar uma mensagem forte para o público e, antes de entrar no palco, fiz uma oração na qual também pedia isso.
Escutando os aplausos da plateia ao final, acho que consegui realizar o meu objetivo e, mais do que isso, realizei a mim mesma”, ressalta.
“Agradeçam às pequenas coisas da vida. Nada é mais importante e valioso do que ter saúde. Tudo é possível e pode se tornar leve, basta saber enxergar a vida do jeito certo e ter Deus no coração.
E, por último, não se esqueçam nunca do privilégio que é simplesmente estar vivo”, ensina a jovem e vitoriosa Helena.