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“O autoexame salvou a minha vida”

24/10/2022 06:00

A analista corporal, comportamental e gestora emocional Morgana Julião, de 38 anos, moradora do bairro Vila Flor, em Capivari de Baixo, descobriu, em junho deste ano, na frente do espelho em sua casa, um nódulo de dois centímetros na mama. De imediato, correu para o posto de saúde, iniciou o tratamento e veio o diagnóstico: câncer maligno.


Ela passou por uma cirurgia e já começou a quimioterapia. Morgana, que atua profissionalmente com atendimento às mulheres e estava acostumada a colocá-las para cima, viu-se em uma situação que poderia mudar um pouco da sua essência extrovertida e social, mas decidiu aprender a enfrentar um dos piores campos naturalmente atingidos em pacientes com os casos como o dela, o emocional. Resolveu vencer, contou amplamente com o apoio da família, de amigos, dos médicos e dos profissionais de saúde, e o maior de todos: o apoio próprio, acresceu o amor que tem por si, pela vida, pelo seu corpo.


“Eu amo a minha careca. Foi tudo muito rápido. Cheguei a fazer uma bateria de exames no início do ano, estava tudo ok, mas em junho descobri a minha doença me tocando. Corri para o posto da Vila Flor, fui muito bem atendida e encaminhada para o tratamento necessário. Passei pela cirurgia, fiz outros exames que apontavam algo na região da axila, não desanimei, pelo contrário, intensifiquei a quimio. Hoje, estou sem nódulos, sem esta enfermidade que é tão perturbadora aos ouvidos da sociedade, mas preciso seguir firme com a medicação”, detalha.


Morgana atenta que o autoexame, o qual apontou um nódulo de dois centímetros, foi o diferencial até aqui. Acima de três centímetros já é considerado um tumor e, se maligno, o estágio do câncer é maior e as chances de cura são bem menores.


“Tenho um recado curto, porém de valia extrema à saúde das mulheres: toquem-se, conheçam o seu corpo, saibam notar as diferenças, não deixem de ir ao médico, não tenham vergonha, preconceito ou qualquer tipo de receio. Amar-se e tocar-se é fundamental para que possamos prevenir de maneira adequada uma série de doenças. Faça o autoexame. Converse com seu marido, mãe, pai, avô. O tempo pode ser a principal ferramenta de sucesso! Viva o hoje, mas não jogue fora o seu amanhã”, orienta a capivariense.


Diversos fatores são relacionados à doença

O câncer de mama é a primeira causa de morte por câncer na população feminina em todas as regiões do Brasil, exceto na região Norte, onde o câncer do colo do útero ocupa o primeiro lugar.


A doença geralmente se manifesta através de um nódulo irregular, duro e indolor. A pele da mama pode ficar avermelhada, com alterações no mamilo e saída espontânea de líquido. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), um em cada três casos de câncer pode ser curado se for descoberto logo no início. Diversos fatores são relacionados ao câncer de mama e o risco de desenvolver a doença aumenta para mulheres acima de 50 anos.


Combater fatores de risco também é essencial para a prevenção, como sedentarismo, obesidade, consumo de bebida alcoólica e sobrepeso após a menopausa. Segundo o Inca, apenas entre 5% e 10% dos casos estão relacionados com causas hereditárias ou genéticas.


Em 2022, estima-se que cerca de 66 mil brasileiras descobrirão o câncer de mama, segundo o governo federal. Os diagnósticos avançados representam 40% dos casos. Só em 2021, mais de 3,4 milhões de mamografias foram feitas no SUS em todo o país. O câncer de mama também acomete homens, porém, é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.

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