No último domingo, pulei da cama às 6h30. Tive um sono agitado — desses que misturam ansiedade e alegria —, pois estava ansiosa para o passeio de trem.
O convite veio do meu querido amigo, confrade da Academia Tubaronense de Letras e colega de coluna no Diário do Sul, Dr. José Warmuth. O motivo não poderia ser mais especial: a comemoração de seus 93 anos. Senti-me imensamente feliz e honrada.
O trem partiria do Museu Ferroviário às 8h30, e combinamos de chegar com antecedência para nos organizarmos. Quando cheguei, Dr. Warmuth já estava lá, nos aguardando com aquela simpatia e o bom humor que lhe são tão próprios.
O dia estava lindo. O sol radiante parecia acompanhar a empolgação do grupo. Ao entrar no vagão reservado, senti um arrepio leve — desses que anunciam algo especial. Não era apenas um passeio de trem; era, também, uma viagem no tempo. O vagão luxo, da década de 1940, havia sido cuidadosamente restaurado e preservava o charme de outra época: poltronas de veludo bordô, cortinas elegantes, luminárias de metal com luz suave, detalhes em madeira trabalhada, carpete macio… tudo ali respirava história. Um verdadeiro convite à contemplação.
Nossa viagem teria cerca de três horas, com destino a Laguna, praia tão querida pelos tubaronenses. Seria um bate e volta. Confesso que, a princípio, temi que pudesse ser cansativo. Mas bastou o trem iniciar seu movimento para que qualquer receio se desfizesse.
Além da atenciosa tripulação, fomos presenteados com a música de um saxofonista que, com delicadeza, embalou todo o trajeto. Entre conversas animadas e olhares curiosos pela janela, também desfrutamos de um delicioso café, que tornou a experiência ainda mais acolhedora.
Um dos momentos mais marcantes foi a travessia pela ponte Anita Garibaldi. A paisagem era de tirar o fôlego: o sol refletido no mar, a imponência da ponte, o horizonte aberto… Houve um silêncio quase sagrado, interrompido apenas por um comentário que ecoou entre nós: como a nossa região é bonita — e como, por vezes, esquecemos de enxergar isso.
Mas o ápice ainda estava por vir. Ao chegarmos a Laguna, um grupo de sanfoneiros entrou no vagão entoando parabéns para o nosso aniversariante. Brindamos com espumante — produzido aqui mesmo em Tubarão — e celebramos não apenas uma data, mas uma vida inteira. A alegria era contagiante.
Ao final do passeio, reunimo-nos para uma foto — dessas que não congelam apenas imagens, mas guardam sentimentos.
Dr. Warmuth, esta crônica é uma homenagem ao senhor — pela pessoa admirável que é e pela alegria de tê-lo como amigo nesta vida.
Que este dia permaneça como um trilho luminoso em nossas memórias afetivas, conduzindo-nos sempre de volta àquilo que realmente importa: celebrar a vida.