No último domingo, o meu primo Zico e a família dele vieram nos visitar. Ele é um Lulu da Pomerânia todo fofinho e serelepe, daqueles que parecem uma nuvem com patinhas.
Mas, dessa vez, ele não chegou pulando, nem abanando o rabinho como costuma fazer.
Chegou quietinho… e com uma parte do corpinho sem conseguir se mexer. A patinha da frente e a de trás, do lado direito, estavam paradas. Como se estivessem… dormindo.
Ficaram todos ao redor do Zico, tristes e preocupados. A mãe humana dele, tia Kaia, contou que a veterinária estava fazendo alguns exames para descobrir o que houve — mas ainda não sabiam exatamente o que era.
Uma coisa era certa: Zico estava cercado de amor e carinho. Minha mãe bichológica, inclusive, só tinha olhos para ele.
Vou confessar uma coisa — mas só porque é você que está lendo: eu senti um tiquinho de ciúmes. Pequenininho. Do tamanho de um petisco... ou dois (talvez três).
E então tive uma ideia. Comecei a mancar. Assim, do nada. Uma mancadinha estratégica na patinha da frente.
Nada muito exagerado… mas o suficiente para alguém dizer:
— Gente, o Pingo está mancando!
E não é que funcionou? Missão cumprida.
Só não entendi por que, logo depois, todo mundo começou a rir.
Mas aí, quando voltei a olhar pro Zico — ali quietinho, sendo cuidado — entendi. Tem coisa que não é brincadeira. Tem momentos em que o amor precisa se juntar todinho… em volta de quem mais precisa.
E tudo bem. Porque eu também amo o meu primo Zico.
Na verdade, só queria que ele voltasse a correr comigo, a fazer bagunça, a disputar brinquedo… e atenção dos nossos humanos.
Zico, melhora logo, tá? Volta logo pra gente aprontar juntos. Tô te esperando.
Com carinho (e um pouquinho de drama)... Pingo.