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RENATA DAL-BÓ

04/02/2026 06:00

A arte de envelhecer bem e em paz

Dia 9 de janeiro de 2026, completei 54 anos do jeitinho que eu queria: com uma celebração simples, ao lado da família, em um lugar lindo e rodeada de amor por todos os lados. Só o essencial, que, a meu ver, faz mais sentido quando a gente vai ficando um pouco mais experiente na arte de viver.

Refletir sobre o processo de envelhecimento sempre foi importante para mim. Nunca pensei nisso como algo distante, um problema para “quando chegar lá”. Pelo contrário. Sempre cuidei do corpo, gosto de me mexer, de manter alguma disciplina, mas cuidar da mente e, principalmente, da alma, também é prioridade em minha vida. Porque não adianta chegar aos 50, 60 ou 80 com o corpo saudável e a saúde mental em frangalhos.

Outro dia vi nas redes um texto chamado “Envelhecer à francesa”. Não tem autor conhecido — pelo menos não consegui encontrar —, mas me identifiquei na hora. Talvez porque, sem saber, sempre busquei envelhecer assim. O texto fala sobre envelhecer sem drama, sem luta contra o tempo, deixando que ele se acomode. Fiquei tocada, porque é exatamente assim que tento viver: sem negar o passar dos anos, mas também sem fazer dele um peso.

Quando fiz 50 anos, escrevi uma crônica chamada “Memórias de uma mulher de 50”. Na época, falei muito de colheita. De olhar para trás e perceber que tinha plantado bastante coisa: filhos, livros, afetos, escolhas que considero corajosas. Falava também da Renatinha que ainda mora aqui dentro — aquela menina que se empolga, que ri alto, que se emociona fácil e que continua acreditando na humanidade.

Quatro anos depois, aos 54, sigo sentindo a mesma coisa. O tempo passou rápido, deixou marcas, claro. Algumas rugas, muitas incertezas (quase nenhuma certeza), menos pressa (estou tentando) e mais filtros (incluindo o filtro solar). Aprendi a escolher melhor as batalhas, as companhias e até os silêncios. Continuo sonhando, traçando objetivos e convivendo razoavelmente bem com as pedras do caminho — porque, inevitavelmente, uma hora ou outra tropeçamos nelas. 

Hoje, envelhecer bem, para mim, é isso: estar em paz com quem sou, cercada de família e amigos, cuidando do que importa e rindo do resto. E, se tudo der certo, sigo me imaginando lá na frente, velhinha, cheia de histórias, contando causos para meus netinhos e quem mais quiser ouvir — ou ler.

Porque, com a idade, aprendemos que envelhecer não é perder. É acumular vida.

Diário do Sul
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